
A docente e pesquisadora argentina Soledad Palameta Miller, vinculada à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi detida na segunda-feira (23) sob suspeita de desviar material biológico da instituição. As informações são da Veja.
A prisão ocorreu em flagrante durante uma ação da Polícia Federal, que cumpria dois mandados de busca e apreensão autorizados pela 9ª Vara Federal de Campinas. A defesa da professora informou que só irá se pronunciar oficialmente nos autos do processo.
A professora foi solta na tarde desta terça-feira (24) após a Justiça lhe conceder liberdade provisória. O processo tramita em sigilo.
Quem é Soledad
Nascida em Rosário, na Argentina, Soledad Palameta Miller construiu sua formação acadêmica no próprio país, graduando-se em Biotecnologia pela Universidade Nacional de Rosário, em 2013. No ano seguinte, passou a atuar na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde concluiu o doutorado em Ciências, na área de Fármacos, Medicamentos e Insumos para Saúde, em 2019.
Com mais de uma década de vínculo com a instituição, Soledad tornou-se docente da Faculdade de Engenharia de Alimentos em agosto de 2025, segundo informações do Linkedin da professora.
Ao longo da carreira, também trabalhou como analista no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), entre 2017 e 2022, em projetos de imunoterapia contra o câncer.
Entre 2022 e 2025, realizou pós-doutorado na Unicamp, com pesquisas voltadas a métodos alternativos de diagnóstico de doenças aviárias e ao desenvolvimento de vacinas veterinárias. Também integrou, como pesquisadora colaboradora, o projeto Previr, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, focado na vigilância de vírus zoonóticos em animais silvestres.
Entenda o caso
O furto veio à tona na manhã de 13 de fevereiro, após o desaparecimento de caixas com amostras virais do Laboratório de Virologia Animal do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp.
Os itens estavam armazenados em uma área NB-3, de alta contenção biológica e submetida a rigorosos protocolos de biossegurança. A ausência foi percebida por uma pesquisadora com acesso autorizado ao local.
Segundo informações da CNN Brasil, foi constatado durante as apurações que a professora não possuía laboratório próprio e utilizava espaços cedidos por outros docentes. Sem acesso direto às áreas de origem, ela teria recorrido à ajuda de terceiros, entre eles uma orientanda de mestrado, para entrar nos ambientes.
Após a retirada, o acervo, vinculado à professora Clarice Weis Arns, foi levado a diferentes pontos da universidade. As amostras foram encontradas pela polícia em freezers de outros pesquisadores, no Laboratório de Estudos de Doenças Emergentes (Lemeb) e no de Engenharia Metabólica, já abertas e manipuladas.
Também foram identificadas falhas no descarte, com frascos deixados em lixeiras comuns no Laboratório de Cultura de Células.
A docente foi presa pela Polícia Federal no âmbito do inquérito que investiga o caso. Embora o episódio tenha ocorrido no IB, a Unicamp informou possíveis impactos em atividades da FEA e, por precaução, interditou temporariamente laboratórios de pesquisa da unidade.
A universidade acionou a Polícia Federal e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para apoio técnico. O material apreendido foi encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária para análise.
De acordo com as informações institucionais da universidade citadas em reportagem da Veja, o laboratório pesquisa principalmente viroses respiratórias em animais, como pneumovírus aviário, vírus da bronquite infecciosa aviária, doença infecciosa da bursa, vírus respiratório sincicial bovino e herpesvírus equino e bovino.
Segundo a PF, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Campinas, além da prisão em flagrante. Novas informações devem ser divulgadas conforme o avanço das investigações.
Em nota, a Unicamp afirmou que colabora com as autoridades e que os responsáveis serão punidos na forma da lei. A Polícia Federal disse que atua em conjunto com outros órgãos e que não divulgará mais detalhes neste momento para não comprometer o inquérito. (veja notas na íntegra abaixo)
Nota Unicamp
A Reitoria da Universidade Estadual de Campinas esclarece que tomou conhecimento da ocorrência de furto de materiais de pesquisa nas dependências do Instituto de Biologia (IB).
Em razão da gravidade do fato e da natureza do patrimônio científico envolvido, a Instituição acionou prontamente a Polícia Federal (PF) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a condução das investigações e procedimentos periciais necessários.
A Universidade esclarece que vem tomando todas as medidas cabíveis, colaborando integralmente com as autoridades competentes. Os possíveis envolvidos na ocorrência serão responsabilizados, conforme previsto na legislação vigente.
Informações adicionais sobre o inquérito serão preservadas para não comprometer o andamento das investigações.
Campinas, 23 de março de 2026.
Reitoria da Unicamp
Nota Policia Federal
A Polícia Federal prendeu em flagrante, nesta segunda-feira (23/3), uma mulher suspeita de furtar material biológico armazenado no Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
A prisão ocorreu no âmbito de inquérito policial instaurado após comunicação da própria instituição sobre o desaparecimento do material.
Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão, expedidos pela 9ª Vara Federal de Campinas, na cidade. O material subtraído foi localizado e encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária para análise.
As ações contaram ainda com o apoio técnico da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
As investigações prosseguem para esclarecer as circunstâncias dos fatos. Os investigados irão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos seguintes crimes: furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado.
Comunicação Social da Polícia Federal em Campinas

