
A Justiça aceitou, nesta terça-feira (3), a denúncia do Ministério Público contra o advogado e professor de Direito Conrado Paulino da Rosa, 41 anos. Ele se torna réu por estupro, cárcere privado e violência psicológica contra 10 mulheres. A decisão é do juiz Sergio Fernando Tweedie Spadoni, do 2º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Porto Alegre.
O advogado foi preso na segunda-feira (2) e teve a prisão preventiva mantida na manhã dessa terça, após audiência de custódia no Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp).
A preventiva foi determinada pela desembargadora Naele Ochoa Piazetta, da 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS). A magistrada entendeu que a gravidade dos crimes e os impactos social e pessoal das ações exigiam a prisão para não ameaçar a tramitação livre do processo, que está em segredo de Justiça. Conforme o Tribunal de Justiça do RS, ainda não tem data para o julgamento.
A denúncia feita contra Conrado reúne 12 fatos envolvendo 10 mulheres, que teriam ocorrido entre 2013 e 2025. A investigação durou cerca de três meses e reuniu depoimentos de 18 vítimas e 16 testemunhas, além de perícias, exames e provas documentais.
À época dos fatos investigados, o advogado atuava como professor na Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP), em Porto Alegre, de onde foi demitido em 18 de setembro do ano passado.
Ele lecionava para alunos de graduação e mestrado em Direito e coordenava a pós-graduação em Direito de Família e Sucessões. Também foi presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família, Seção Rio Grande do Sul (IBDFAM-RS). Em sua biografia pública, afirma ser autor de 18 obras na área.
Relatos de violência
Ainda em 2025, uma das mulheres que diz ter sido vítima do advogado e professor de Direito compartilhou um relato detalhado sobre o relacionamento dos dois. Contou que Conrado alternava gestos carinhosos e agressões durante a relação sexual. E que, em uma das ocasiões, descobriu que sua mandíbula estava deslocada, o que teria sido causado por um tapa recebido durante uma relação.
— Lembro que, por vezes, fui trabalhar no verão com manga comprida porque eu tinha hematomas nos braços, no pescoço e na região do colo — contou a mulher, cuja identidade foi preservada pela reportagem.
Na denúncia apresentada pelo MP, constam relatos de mulheres sufocadas, forçadas a determinada prática sexual mesmo dizendo "não", que perderam a memória após aceitarem bebidas, uma delas ensanguentada, outra amarrada à força na cama e impedida de sair do quarto.
Prisão
Conrado havia sido preso em 26 de setembro do ano passado, no curso das investigações, mas foi solto menos de um mês depois por decisão da Justiça.
Nesta segunda-feira, Conrado voltou a ser preso, quando chegava em casa. A prisão foi resultado de um recurso do MP. Na semana passada, a Justiça havia indeferido um primeiro pedido de prisão, solicitado pelo órgão a partir de representação da 2ª Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), que conduziu o inquérito.

Nem o Ministério Público, nem a Polícia Civil confirmam os argumentos que embasaram a nova prisão do advogado. Porém, no final de janeiro, Conrado Paulino da Rosa esteve em cerimônia de prestação de compromisso de novos advogados na Escola da Ordem dos Advogados do Brasil, onde circulou em meio a autoridades, mulheres advogadas e estudantes.
Entre as medidas cautelares que haviam sido impostas para autorizar a soltura após primeira prisão, estavam monitoramento eletrônico e a proibição de se aproximar de instituições de ensino.
Contraponto
Zero Hora contatou a defesa de Conrado Paulino da Rosa, que afirmou ainda não ter tido acesso ao conteúdo da decisão judicial. Sobre a manutenção da prisão preventiva, informou: "Estamos analisando as medidas a serem adotadas".




