Conrado Paulino da Rosa, de 41 anos, advogado e professor de Direito denunciado por crimes sexuais, deve passar por audiência de custódia e ser encaminhado para o sistema prisional nesta terça-feira (3).
Ele foi preso de forma preventiva nesta segunda-feira (2), em Porto Alegre, após ser denunciado na semana passada pelo Ministério Público (MP). Ele responde por 12 fatos criminosos cometidos contra 10 mulheres, conforme narrado na denúncia.
Conrado foi preso quando chegava em casa. A prisão é resultado de um recurso do MP, por decisão da desembargadora Naele Ochoa Piazzeta, da 8ª Câmara Criminal. Na semana passada, a Justiça havia indeferido um primeiro pedido de prisão, solicitado pelo MP a partir de representação da 2ª Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), que conduziu o inquérito.
Nem o Ministério Público, nem a Polícia Civil confirmam os argumentos que embasaram a nova prisão do advogado. Porém, no final de janeiro, Conrado Paulino da Rosa esteve em cerimônia de prestação de compromisso de novos advogados na Escola da Ordem dos Advogados do Brasil, onde circulou em meio a autoridades, mulheres advogadas e estudantes.
Entre as medidas cautelares que haviam sido impostas para autorizar a soltura após primeira prisão, estavam monitoramento eletrônico e a proibição de se aproximar de instituições de ensino.
— A prisão preventiva, conforme previsto no nosso ordenamento jurídico brasileiro, serve para resguardar o processo penal, as vítimas e as provas. Se o Poder Judiciário entendeu pela decretação da medida cautelar de prisão, é porque foram demonstrados indícios concretos de que a liberdade dele estava colocando em risco essa higidez do processo — afirmou a delegada Waleska Viana de Alvarenga, diretora da Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher (Dipam)
Após a prisão, o advogado foi encaminhado ao Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp), onde aguarda a audiência de custódia, que deve ser realizada ainda no turno da manhã. A Justiça ainda analisa a denúncia do Ministério Público. A defesa do professor se manifestou por nota (leia abaixo) por meio das redes sociais.
Nota da defesa de Conrado Paulino da Rosa
"A defesa técnica de Conrado Paulino da Rosa, composta pelas advogadas Fernanda Osório e Neida Floriano e pelos advogados Rodrigo Grecellé Vares, Ezequiel Vetoretti, Daniel Achutti, Fernando Nerung e Eduardo Vetoretti, vem a público manifestar o que segue:
A defesa vê com extrema preocupação a decretação da prisão preventiva, baseada em suposições, descontextualizações e erros de ordem fática. A medida foi determinada após requerimento formulado pela autoridade policial há três meses, o qual se ampara em fundamentos já anteriormente rechaçados pelas autoridades judiciárias que acompanham o caso, quando da análise de outros três pedidos de segregação.
Cumpre esclarecer que, ainda na semana passada, a defesa protocolou documentação robusta, apta a refutar não apenas os fatos narrados na denúncia, mas também os fundamentos invocados para a imposição da medida extrema. Ademais, já haviam sido submetidos ao Juízo documentos que apontam para a ocorrência de ilegalidades na condução da investigação, inclusive indícios de parcialidade de autoridades envolvidas — circunstâncias de manifesta gravidade e relevância que, até o presente momento, não foram objeto de apreciação.
Diante desse cenário, a defesa informa que já vem adotando, nos últimos dias, todas as medidas cabíveis e necessárias para ver revogada a prisão cautelar indevidamente imposta, por carecer de fundamentos idôneos, contemporâneos e concretos. A banca permanece confiante de que, em breve, essa ilegalidade dará lugar à razão e à boa técnica jurídica, com o restabelecimento da liberdade de Conrado.
Porto Alegre, 2 de março de 2026"





