
O primeiro condenado pelo crime de feminicídio na história do Rio Grande do Sul foi preso novamente na manhã desta terça-feira (3), em Venâncio Aires, no Vale do Rio Pardo. Júlio César Kunz, 46 anos, foi detido preventivamente pela Polícia Civil por descumprimento de medida protetiva de violência doméstica.
De acordo com o delegado Guilherme Dill, o caso atual teve registros de violência formalizados em 2025 e 2026, envolvendo perseguições, ameaças e descumprimento das ordens judiciais. Kunz foi localizado nesta terça-feira (3), no bairro Brígida, e encaminhado ao sistema prisional.
Esta é a terceira vez que o homem é preso por envolvimento em episódios de violência contra mulheres.
Condenação
Kunz entrou para a história jurídica do Estado em junho de 2017, quando foi condenado pelo feminicídio de sua ex-companheira, Mirian Roselene Gabe, e pela tentativa de homicídio do vigilante de um hospital.
O crime ocorreu no dia 22 de março de 2015, apenas 13 dias após a sanção da Lei do Feminicídio.
Na ocasião, Mirian, 34 anos, aguardava atendimento no hospital de Venâncio Aires para realizar exame de corpo de delito, após já ter denunciado as agressões do ex-companheiro em uma delegacia. Kunz perseguiu a vítima até a instituição de saúde, arrastou-a para a rua e atirou contra ela.
Kunz foi preso em flagrante no dia seguinte e confessou o assassinato.
A pena inicial era de 28 anos e quatro meses, mas a sentença foi reduzida para 19 aos e seis meses de reclusão após recurso da defesa. O homem progrediu para o regime semiaberto em março de 2020 e chegou ao regime aberto em julho de 2023. Quatro meses após ganhar a liberdade, em novembro de 2023, foi preso em flagrante por lesão corporal, ameaça, sequestro e cárcere privado contra outra vítima.
Após ser solto novamente, em novembro de 2025, voltou a ser alvo da Justiça pelo descumprimento das medidas protetivas atuais.
Contraponto
Procurada pela reportagem nesta terça-feira (3), a Vara de Execuções Criminais de Santa Cruz do Sul informou que "com a inclusão de nova condenação, observado o somatório das penas, no ano de 2025, houve a determinação da regressão de regime para o fechado". No mesmo ano, entretanto, ele foi beneficiado com o livramento condicional.
"Quanto à informação da nova prisão, ainda não há nos autos tal informação e, em aportando aos autos, será analisada pelo Juízo, inclusive quanto aos reflexos no benefícios do livramento condicional (revogação/suspenso do benefício), tudo em cumprimento ao disposto no código Penal", informou a Vara.
A reportagem tenta contato com a defesa de Julio César Kunz.
Violência contra a mulher
Como pedir ajuda
Brigada Militar – 190
- Se a violência estiver acontecendo, a vítima ou qualquer outra pessoa deve ligar imediatamente para o 190. O atendimento é 24 horas em todo o Estado.
Polícia Civil
- Se a violência já aconteceu, a vítima deverá ir, preferencialmente, à Delegacia da Mulher, onde houver, ou a qualquer Delegacia de Polícia para fazer o boletim de ocorrência e solicitar as medidas protetivas.
- Em Porto Alegre, há duas Delegacias da Mulher. Uma fica na Rua Professor Freitas e Castro, junto ao Palácio da Polícia, no bairro Azenha. Os telefones são (51) 3288-2173 ou 3288-2327 ou 3288-2172 ou 197 (emergências).
- A outra foi inaugurada em 2024. O espaço fica entre as zonas Leste e Norte, na Rua Tenente Ary Tarrago, 685, no Morro Santana. A repartição conta com uma equipe de sete policiais e funciona de segunda a sexta, das 8h30min ao meio-dia e das 13h30min às 18h.
- As ocorrências também podem ser registradas em outras delegacias. Há DPs especializadas no Estado. Confira a lista neste link.
Delegacia Online
- É possível registrar o fato pela Delegacia Online, sem ter que ir até a delegacia, o que também facilita a solicitação de medidas protetivas de urgência.
Central de Atendimento à Mulher 24 Horas – Disque 180
- Recebe denúncias ou relatos de violência contra a mulher, reclamações sobre os serviços de rede, orienta sobre direitos e acerca dos locais onde a vítima pode receber atendimento. A denúncia será investigada e a vítima receberá atendimento necessário, inclusive medidas protetivas, se for o caso. A denúncia pode ser anônima. A Central funciona diariamente, 24 horas, e pode ser acionada de qualquer lugar do Brasil.
Ministério Público
- O Ministério Público do Rio Grande do Sul atende em qualquer uma de suas Promotorias de Justiça pelo Interior, com telefones que podem ser encontrados no site da instituição.
- Neste espaço é possível acessar o atendimento virtual, fazer denúncias e outros tantos procedimentos de atendimento à vítima. Acesse o site.
Defensoria Pública - Disque 0800-644-5556
- A vítima pode procurar a Defensoria Pública, na sua cidade ou, se for o caso, consultar advogado(a).
Disque 100 - Direitos Humanos
- Serviço gratuito e confidencial do Governo Federal, disponível 24 horas por dia, para proteção e denúncias de violações de direitos humanos
*Com supervisão de Ana Müller









