
A Polícia Civil prendeu na terça-feira (10) um dos condenados por um caso emblemático de ataque contra judeus em Porto Alegre. Leandro Comaru Jachetti, 46 anos, tinha mandado de prisão em aberto. Ele foi localizado pela equipe da 4ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa da Capital.
Jachetti havia sido submetido a júri em 2019, quando recebeu pena de 14 anos de prisão pelo crime de tentativa de homicídio. Após a condenação transitar em julgado, ele teve mandado de prisão decretado pela Justiça. Desde então, era considerado foragido.
O caso pelo qual ele foi condenado aconteceu em 8 de maio de 2005, no bairro Cidade Baixa, data em que era celebrado o fim do Holocausto. Três estudantes conversavam em frente a um bar, na esquina das ruas General Lima e Silva e República, quando foram cercados por um grupo em fúria.
Eles foram agredidos com socos e pontapés e dois deles atingidos por golpes de faca e canivetes. Um deles teve ferimentos mais graves e precisou permanecer hospitalizado.
Na época, a polícia concluiu que os jovens foram atacados por um grupo de skinheads, de ideologia neonazista, após serem identificados como judeus, pois usavam quipá, acessório que representa a religião. Ao longo do processo, 14 réus foram acusados deste crime.
A prisão
Na terça-feira, os policiais conseguiram localizar o endereço onde Jachetti estaria morando. Ele foi encontrado num prédio de alto padrão no bairro Petrópolis, em Porto Alegre.
— Trata-se de um crime grave, que teve muita repercussão, inclusive nacional, na época. Ele estava morando neste local, foi encontrado em casa — disse o delegado André Freitas.
Contraponto
A reportagem busca contato com a defesa de Leandro Comaru Jachetti. O espaço está aberto para manifestação.
Quando foi submetido a júri, em 2019, ele negou o crime. Questionado pelo Ministério Público sobre o ataque, disse que estava no bar, mas apenas se defendeu.
— Quando começou a briga, foi um empurra-empurra. Eu me defendi para não ser agredido — sustentou.




