
A Polícia Civil de Santa Catarina confirmou, nesta sexta-feira (13), que parte do corpo encontrada em Major Gercino, no Vale do Itajaí, é da gaúcha Luciani Aparecida Estivalet Freitas, 47 anos. A corretora de imóveis, natural de Alegrete, estava desaparecida desde o início de março, em Florianópolis.
O reconhecimento foi feito após parentes se deslocarem até Balneário Camboriú para confirmar a identidade da vítima. Conforme a Polícia Civil, a principal linha de investigação é de latrocínio (roubo com morte).
Na quinta-feira (12), uma mulher de 47 anos foi presa por suspeita de envolvimento no caso. Ela foi detida em Florianópolis, em uma pousada na qual se apresentava como responsável.
No local, os policiais encontraram duas malas com objetos pessoais de Luciani, produtos comprados em nome dela — como dois arcos de balestra, um controle de videogame e uma televisão —, além do carro da vítima, um Hyundai HB20.
Ainda segundo a Polícia Civil, além da mulher presa na pousada, outros suspeitos do crime são uma mulher, de 30 anos, e um homem de 27, namorado dela.
O casal tentou fugir para o Rio Grande do Sul, mas foi preso também na quinta-feira, em Gravataí, por policiais rodoviários federais.
Desaparecimento
Luciani havia sido vista pela última vez por vizinhos em 4 de março na kitnet onde morava, na Praia dos Ingleses, em Florianópolis. Antes de sumir, teria enviado mensagens à família com erros gramaticais que não combinavam com o seu perfil e passou a recusar as ligações dos parentes.
O irmão dela, Matheus Estivalet Freitas, que mora em Itapema, no norte de Santa Catarina, foi o primeiro a desconfiar de que algo estava errado. Os textos que chegavam pelo celular de Luciani continham palavras escritas incorretamente, como "respentem", "persiguindo", "precionando" e "reornizar".
Em uma das mensagens, a remetente dizia que estava bem, mas que estaria sendo perseguida por um ex-namorado.
— Ela me manda aquele texto com erros gramaticais, bem o que não é usual dela, sabe? A nossa irmã tem graduação, pós-graduação, foi professora universitária, então a gente já notou que não era ela de forma alguma — explicou Freitas.

Para o irmão, outra pessoa havia assumido o celular de Luciani e estava se passando por ela para ganhar tempo. Desde 5 de março, uma quinta-feira, ela tinha parado de se comunicar normalmente nos grupos da família.
Polícia busca outras partes do corpo
Uma parte do corpo de Luciani foi avistada por pessoas no córrego de Major Gercino, na última segunda-feira (9). Dois dias depois, na quarta (11), a Polícia Militar foi acionada e retirou os restos mortais do local.
Segundo o delegado Anselmo Cruz, responsável pela investigação, a vítima teria sido morta entre 4 e 5 de março. O corpo teria permanecido no apartamento dela até a madrugada do dia 7, quando foi removido pelos suspeitos.
Ainda conforme a apuração, o tronco e outras partes foram levados até uma ponte na área rural de Major Gercino e jogados em um rio, dividido em cinco pacotes, pelo casal e o adolescente.
As buscas para localizar as demais partes do corpo seguem em andamento. A Polícia Civil informou que a dinâmica do crime e a autoria do latrocínio e da ocultação de cadáver já foram esclarecidos, mas a investigação continua para colher outros elementos.
Luciani nasceu em Alegrete e cresceu em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre.
Suspeita presa
A Polícia Civil de Santa Catarina prendeu uma mulher de 46 anos suspeita de envolvimento no caso na quinta-feira. Ela foi detida em Florianópolis, em uma pousada onde se apresentava como responsável pelo estabelecimento.
No local, os policiais encontraram duas malas com objetos pessoais de Luciani, produtos comprados em nome dela, além do carro da vítima, um Hyundai HB20.
A prisão partiu do rastreamento de compras feitas com o CPF da corretora após o desaparecimento. As entregas levaram os investigadores a endereços em Florianópolis.
Durante a apuração, a polícia abordou um adolescente de 14 anos que retirava uma das encomendas. Ele disse que os itens seriam entregues ao irmão dele.
Com base nisso, os agentes foram até a pousada, onde encontraram a responsável pelo local, o irmão do adolescente e outra mulher.
A prisão da suspeita foi inicialmente pelo crime de receptação. Ainda na quinta-feira, durante a audiência de custódia, o juiz apontou indícios de homicídio e determinou a prisão temporária por 30 dias.
Em depoimento, ela negou envolvimento no desaparecimento de Luciani.
Casa bagunçada e alimentos podres
Na segunda-feira (9), Freitas foi pessoalmente até a casa da irmã. A porta estava trancada e o cachorro de Luciani estava do lado de fora. Ele entrou pela janela e encontrou a kitnet em desordem, com alimentos em avançado estado de decomposição.
— A primeira coisa que eu notei foram muitos alimentos podres, frutas já em estado de decomposição bem avançado — relatou o irmão.
No mesmo dia, Freitas registrou um boletim de ocorrência. Luciani passou a constar como desaparecida no site da Polícia Civil de Santa Catarina.
As mensagens enviadas do celular da mulher indicavam que ela estava em conflito com um ex-namorado, morador do interior do Rio Grande do Sul, que a perseguia por ciúmes.
Segundo o irmão, Luciani tinha uma medida protetiva contra esse homem. A dona da pousada onde ela alugava a kitnet contou a ele que o ex-namorado chegou a morar com ela durante o mês de fevereiro.


