
Na noite da última quarta-feira (25), Cibelle Monteiro Alves, 22 anos, foi morta pelo seu ex-namorado, Cássio Henrique da Silva Zampieri, 25. Ele entrou na joalheria Vivara, onde Cibelle trabalhavam e a esfaqueou várias vezes perto do pescoço. As informações são do g1.
O caso ocorreu dentro do Shopping Golden Square, no Jardim do Mar, em São Bernardo do Campo, São Paulo.
De acordo com a Polícia Civil, Cássio cometeu o crime contra a ex-namorada porque não aceitava o fim do relacionamento de cinco anos. Cibelle já havia registrado três boletins de ocorrência contra o homem e também possuía medida protetiva.
Como aconteceu o crime
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, na semana passada, Cássio entrou na joalheria em que Cibelle trabalhava com uma faca e uma airsoft, réplica de uma arma de verdade, dentro da mochila. Cibelle tentou escapar, mas foi mantida como refém pelo homem, que a esfaqueou diversas vezes perto do pescoço.
A polícia chegou para tentar conter Cássio e reagiu ao atirar na perna dele, mas não conseguiu acessar a joalheria a tempo de salvar Cibelle porque a porta de ferro, que dava acesso à loja, estava abaixada. Conforme relato, testemunhas teriam filmado a movimentação.
Cibelle não resistiu aos ferimentos e morreu no local, enquanto Cássio foi socorrido e está internado em estado estável no Hospital Mário Covas, em Santo André, com escolta policial.
Logo depois de matar Cibelle, ainda dentro da loja, Cássio enviou um áudio à família assumindo o assassinato, falando que "eu matei a Cibelle, está cheio de polícia aqui".
O agressor também mandou outros vídeos e áudios aos familiares. Em um deles, afirmou que "eu vou morrer agora, eu vou me matar, me segurei ao máximo pra não fazer..."
Após receber alta do hospital, Cássio será transferido para o Centro de Detenção Provisória (CDP). A Justiça decretou sua prisão preventiva.
Histórico de violência
Cibelle e Cássio namoraram durante cinco anos, até que o relacionamento terminou em abril de 2025. Desde então, Cássio começou a perseguir a jovem. Na época, ela já se relacionava com outra pessoa.
Cibelle registrou três boletins de ocorrência por violência doméstica contra Cássio desde 2023 e também já havia obtido uma medida protetiva contra ele.
No entanto, o homem passou a enviar mensagens por WhatsApp e até via Pix, ameaçando-a de morte.
Em uma das trocas de mensagens, Cibelle disse a Cássio que "não queria mais contato" com ele, que respondeu que o "problema era dela, quem decide isso não é só você".
Em junho do ano passado, Cássio enviou um Pix de um centavo para a conta de Cibelle apenas para escrever uma intimidação no campo de descrição do pagamento: “vai ver o que é inferno de verdade”.
Além disso, Cássio também foi até a entrada do condomínio da jovem para ameaçá-la e enviou fotos íntimas de Cibelle para o grupo do WhatsApp de trabalho da joalheria onde ela trabalhava.
Investigação
O caso está sendo investigado pelo 2° Distrito Policial (DP), em São Bernardo. Conforme os policiais, o crime foi um ataque premeditado, cruel e extremamente violento, que durou menos de dois minutos.
Já a Secretaria da Segurança Pública informou que o caso foi registrado como feminicídio.
Relatos de testemunhas
Pessoas próximas ao local dos disparos usaram as redes sociais para relatarem o desespero no momento em que Cássio invadiu a joalheria.
Familiares dos funcionários da Vivara disseram que os trabalhadores se trancaram em banheiros e almoxarifados para se protegerem.
Em entrevista ao g1, uma testemunha disse que estava comprando um relógio no local no momento e teve que sair correndo, afirmando que foi "muito ruim a cena que eu vi".
Os tiros puderam ser ouvidos em diversos locais do shopping, que foi fechado para o trabalho das equipes da perícia.
O que disse o Shopping Golden Square
Em nota ao g1, o Shopping Golden Square afirmou que está auxiliando a família de Cibelle:
"O shopping lamenta o caso de feminicídio contra a funcionária de uma de suas lojas na noite desta quarta-feira (25/2) e se solidariza à família. O shopping está oferecendo todo o apoio ao lojista, à família da vítima e está à disposição das autoridades".
O que disse a Vivara
Também ao g1, a Vivara, joalheria em que Cibelle trabalhava, afirmou:
"É com profundo pesar e consternação que a Vivara confirma o trágico episódio ocorrido hoje em nossa unidade no Golden Square Shopping. Nossa colaboradora e amiga foi vítima de um ataque inaceitável de violência, vindo a falecer. Neste momento de dor imensurável, nossa prioridade absoluta é prestar todo o apoio e solidariedade à família, aos amigos e aos colegas de equipe que compartilhavam o dia a dia com ela.
Estamos oferecendo suporte psicológico e assistência integral a todos os envolvidos diretamente. Informamos que as autoridades foram acionadas prontamente e a loja permanecerá fechada. Estamos colaborando plenamente com as investigações. A Vivara repudia veementemente qualquer forma de violência, especialmente o feminicídio, e reafirma seu compromisso com o acolhimento e a dignidade de suas colaboradoras".
Violência contra a mulher
Como pedir ajuda
Brigada Militar – 190
- Se a violência estiver acontecendo, a vítima ou qualquer outra pessoa deve ligar imediatamente para o 190. O atendimento é 24 horas em todo o Estado.
Polícia Civil
- Se a violência já aconteceu, a vítima deverá ir, preferencialmente, à Delegacia da Mulher, onde houver, ou a qualquer Delegacia de Polícia para fazer o boletim de ocorrência e solicitar as medidas protetivas.
- Em Porto Alegre, há duas Delegacias da Mulher. Uma fica na Rua Professor Freitas e Castro, junto ao Palácio da Polícia, no bairro Azenha. Os telefones são (51) 3288-2173 ou 3288-2327 ou 3288-2172 ou 197 (emergências).
- A outra foi inaugurada em 2024. O espaço fica entre as zonas Leste e Norte, na Rua Tenente Ary Tarrago, 685, no Morro Santana. A repartição conta com uma equipe de sete policiais e funciona de segunda a sexta, das 8h30min ao meio-dia e das 13h30min às 18h.
- As ocorrências também podem ser registradas em outras delegacias. Há DPs especializadas no Estado. Confira a lista neste link.
Delegacia Online
- É possível registrar o fato pela Delegacia Online, sem ter que ir até a delegacia, o que também facilita a solicitação de medidas protetivas de urgência.
Central de Atendimento à Mulher 24 Horas – Disque 180
- Recebe denúncias ou relatos de violência contra a mulher, reclamações sobre os serviços de rede, orienta sobre direitos e acerca dos locais onde a vítima pode receber atendimento. A denúncia será investigada e a vítima receberá atendimento necessário, inclusive medidas protetivas, se for o caso. A denúncia pode ser anônima. A Central funciona diariamente, 24 horas, e pode ser acionada de qualquer lugar do Brasil.
Ministério Público
- O Ministério Público do Rio Grande do Sul atende em qualquer uma de suas Promotorias de Justiça pelo Interior, com telefones que podem ser encontrados no site da instituição.
- Neste espaço é possível acessar o atendimento virtual, fazer denúncias e outros tantos procedimentos de atendimento à vítima. Acesse o site.
Defensoria Pública - Disque 0800-644-5556
- A vítima pode procurar a Defensoria Pública, na sua cidade ou, se for o caso, consultar advogado(a).
Disque 100 - Direitos Humanos
- Serviço gratuito e confidencial do Governo Federal, disponível 24 horas por dia, para proteção e denúncias de violações de direitos humanos






