
Quatro jovens são acusados de participarem de um estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos, em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. Além deles, um adolescente é apontado por envolvimento no crime. Todos estão detidos.
São réus pelo crime:
- João Gabriel Xavier Bertho, 19 anos
- Mattheus Verissimo Zoel Martins, 19
- Bruno Felipe dos Santos Allegretti, 18
- Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18.
João Gabriel e Mattheus foram presos no dia 3 de março. Vitor Hugo e Bruno Felipe se entregaram no dia seguinte.
O adolescente era procurado desde 5 de março, quando a Justiça autorizou mandado de apreensão contra ele. Ele é investigado por ato infracional análogo ao crime. Por se tratar de um menor, a identidade não é divulgada.
Vitor Hugo é filho de José Carlos Simonin, que ocupava o cargo de subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa. Ele foi exonerado no dia 4 de março.
Após o caso, outras três jovens procuraram a polícia e afirmaram terem sido vítimas de estupro do filho do subsecretário exonerado, segundo o g1.
O que aconteceu
Segundo o inquérito da 12ª DP de Copacabana, a vítima foi convidada por um adolescente, colega de escola e ex-namorado, para ir ao apartamento de um amigo dele, na noite de 31 de janeiro, em Copacabana. O rapaz pediu que ela levasse uma amiga, mas a adolescente foi sozinha.
No elevador o jovem avisou que mais amigos estariam no local, mas ela recusou qualquer relação com eles. No apartamento, ela foi levada para o quarto pelo rapaz e, quando mantinham relação sexual, os outros quatro entraram no local. Ela pediu que não fosse tocada, mas os rapazes tiraram a roupa e todos a violentaram.
A situação se agravou e evoluiu para agressões físicas e atos sexuais forçados por parte de todos os presentes.
Conforme a CNN Brasil, a menina disse que os jovens a impediram de sair do quarto para poder continuar com os abusos. Um deles chegou a perguntar se a mãe a via nua, já que ela estava "machucada e sangrando".
"Emboscada planejada"
De acordo com a polícia, o crime "foi uma emboscada planejada". A investigação aponta que a vítima foi atraída por meio de uma relação amorosa que ela mantinha com um dos envolvidos — o menor —, para que ela mantivesse relações sexuais com ele e seus amigos.
O adolescente que convidou a vítima também é investigado por ato infracional análogo ao crime de estupro. O procedimento dele foi encaminhado para a Vara da Infância e Juventude.
Câmera de segurança e boletim de ocorrência
Gravações de câmeras de segurança do prédio onde aconteceu o crime mostram a saída dos suspeitos em horários próximos ao estupro.
Além disso, relatório policial aponta que, após acompanhar a vítima até a saída do local, o jovem retorna ao apartamento fazendo gestos de comemoração, conforme interpretado pelos investigadores.
Após sair do prédio, a vítima ligou para o irmão dizendo achar que teria sido estuprada. A família da adolescente a levou à delegacia, onde foi registrado um boletim de ocorrência.
Laudo confirma agressões
O exame de corpo delito confirmou hemorragia e escoriações nas partes íntimas da vítima. Além de machucados nas costas e nos glúteos. Os peritos também identificaram a presença de sêmen na menor.
A jovem reconheceu os suspeitos após ver as imagens das câmeras de segurança. A Polícia Civil então repassou o inquérito ao Ministério Público e solicitou a prisão dos envolvidos.
"Ela se sentia culpada e queria desistir da vida"
A mãe da vítima afirmou que sua filha "se sentia culpada e queria desistir da vida". A mulher, que não teve seu nome divulgado, concedeu entrevista na segunda-feira (2) ao Jornal Nacional, da TV Globo.
— Logo que ocorreu, ela se sentia muito culpada e dizia que queria desistir da vida, por vergonha, porque achava que por onde passasse todo mundo ia apontar como estuprada e como culpada. Ela está conseguindo se conscientizar que não tem culpa, de que não está sozinha e de que ela importa. E que o "não" dela é muito precioso e importa. (...) Eu só quero que eles paguem, porque não tem que haver outras vítimas — afirmou a mãe da vítima.
Quem são os suspeitos
- Bruno Felipe dos Santos Allegretti, 18 anos
- Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18 anos
- Mattheus Verissimo Zoel Martins, 19 anos
- João Gabriel Xavier Bertho, 19 anos
- Jovem de 17 anos que teve a identidade preservada
Segundo a nota, a Polícia Civil já concluiu a investigação e identificou os cinco suspeitos do que chama de barbárie — quatro maiores tiveram as prisões decretadas pela Justiça.
Em nota, a defesa de João Gabriel Xavier Bertho negou "com veemência" a ocorrência de estupro e emboscada.
O Serrano Football Club, clube de futebol da região de Petrópolis, no Rio de Janeiro, afastou o jogador João Gabriel Xavier Bertho.
"Entendemos a gravidade da situação e reforçamos que o clube repudia veementemente qualquer forma de assédio ou violência", disse o Serrano FC. A informação é da CNN Brasil.
Nesta terça-feira (3), a 6ª Câmara Criminal do Rio negou pedido de habeas corpus para revogar a prisão de três dos suspeitos que são procurados pelo crime. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) diz em nota que mais informações não podem ser dadas porque os processos que envolvem estupros e menores tramitam em segredo de Justiça.


