
A Justiça aceitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público (MP) contra o motorista responsável pelo atropelamento que resultou na morte de três ciclistas na RS-115, em Três Coroas, no Vale do Paranhana, no dia 21 de fevereiro deste ano. A decisão é da juíza de Direito Simone Ribeiro Chalela, da 1ª Vara Judicial de Três Coroas.
De acordo com o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, José Carlos Almeida Bessa, 42 anos, responderá por três homicídios triplamente qualificados (meio cruel, impossibilidade de defesa das vítimas e perigo comum gerado), além dos crimes de embriaguez ao volante, direção sem habilitação e fuga do local do acidente. O réu foi preso em flagrante, e a prisão preventiva foi decretada em 22 de fevereiro.
Conforme a denúncia, na altura do km 18 da rodovia, o homem invadiu o acostamento e atingiu três ciclistas — duas mulheres e um homem, com idades entre 34 e 38 anos — que pedalavam no local.
As vítimas morreram em decorrência do atropelamento: duas no local e uma no hospital, dois dias depois. Após a colisão, o denunciado fugiu sem prestar socorro, dirigindo-se para sua residência.
O que dizem as testemunhas
Na tarde da sexta-feira (20), um dia antes do acidente, o acusado estaria eufórico por ter recebido o dinheiro que usaria para trocar os quatro pneus do Palio, o carro envolvido no acidente. Ele esteve em uma oficina, fez a troca e foi para casa.
Por volta das 19h, saiu com a esposa e um filho para lanchar. Depois, segundo pessoas próximas, foi para a casa de um cunhado, onde bebeu até às 22h. Neste horário, voltou para casa levando a esposa e o filho. Segundo conhecidos, ultimamente, a esposa estava insistindo para a família voltar para o Acre, onde Bessa trabalhou e se casou depois de sair da cidade natal, Pauini, no Amazonas. Os dois discutiram por causa do assunto e Bessa decidiu voltar para a casa do cunhado.
Segundo testemunhas, como tinham bebido toda a cerveja disponível, ambos saíram com a ideia de comprar mais cerveja e voltar para casa do cunhado. Mas acabaram indo para um bar, onde Bessa bebeu por cerca de três horas.
Ainda conforme testemunha, ele ficou no estabelecimento, inicialmente, acompanhado pelo cunhado. Depois, levou o irmão da esposa para casa e voltou para o mesmo bar, em Igrejinha, próximo ao limite com Três Coroas. Ao sair deste local, ele foi para uma boate onde ficou por cerca de uma hora e também ingeriu bebida alcoólica. O atropelamento ocorreu poucos minutos depois dele sair da boate.
Quando Bessa foi preso em casa, depois de fugir do local do atropelamento sem prestar socorro, o teste do bafômetro indicou 0,70 miligrama de álcool por litro de ar expelido, índice que configura crime de trânsito. O carro, comprado por ele em janeiro de 2025, foi localizado na garagem da residência. Bessa nunca teve Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
As vítimas
As ciclistas Clarissa Felipetti, 38 anos, e Fernanda Mikaella da Silva Barros, 34, morreram no local do acidente. Elas estavam acompanhadas de Isac Emanuel Ribeiro da Silva, 35 anos, marido de Clarissa. Ele chegou a ser hospitalizado, mas também não resistiu e morreu no dia 24 de fevereiro. Isac e Clarissa deixam dois filhos. Os três planejavam um passeio de cerca de cem quilômetros pela região.
Fotógrafa há mais de 20 anos, Clarissa era conhecida em Três Coroas tanto pelo trabalho quanto pela participação ativa em provas de ciclismo e corridas de aventura. Formada em Educação Física e em Publicidade e Propaganda, ela já havia atuado como assessora de imprensa da prefeitura e trabalhava no setor de marketing de uma empresa, além de registrar eventos esportivos. Clarissa e o marido costumavam se revezar nos cuidados com as crianças para manter a rotina de treinos.
Já Fernanda era natural de Minas Gerais e trabalhava em uma fábrica de calçados.



