
Adiado por duas vezes, o julgamento dos irmãos Jean e Alan Centeno do Carmo, acusados de participação na morte de Cíntia Beatriz Lacerda Glufke, está marcado para esta segunda-feira (23), na 2ª Vara do Júri, em Porto Alegre, a partir das 9h30min.
Jean e Alan são irmãos de Vandré Centeno do Carmo, que foi julgado e condenado a 19 anos de prisão pelo mesmo caso, em setembro de 2025. A vítima foi morta em 2015 a golpes de marreta e teve o corpo esquartejado. Os dois irmãos respondem por homicídio e ocultação de cadáver.
O crime voltou a ganhar destaque no ano passado por causa da semelhança com a morte de Brasília Costa, que teve partes do corpo deixadas em pontos da Capital. O tórax foi deixado em uma mala na Estação Rodoviária. O publicitário Ricardo Jardim é acusado pelos crimes.
Vandré e Jardim estiveram presos juntos em 2015, Vandré pela morte de Cíntia e, Ricardo, por ter matado a mãe. A polícia suspeitos que Jardim pudesse ter se inspirado nos atos de Vandré.
O crime
Cíntia foi morta e esquartejada em 7 de agosto de 2015. Segundo a denúncia do Ministério Público, ela foi agredida e morta com golpes de marreta e o corpo, esquartejado com serra elétrica. O tronco e a cabeça foram enrolados em um lençol, enterrados e cimentados no bairro Rubem Berta. Pernas, pés, mãos e braços foram colocados em uma mala, que foi despachada para Santa Catarina.
Jean e Alan deviam ter sido julgados junto com Vandré, mas houve cisão do julgamento. A justificativa se amparou na colidência defensiva, que ocorre quando dois ou mais réus em um mesmo processo criminal apresentam teses de defesa que se contradizem entre si, ou seja, uma defesa prejudica ou anula a outra.
Nova tentativa de julgamento ocorreu em 10 de dezembro, quando a sessão do júri chegou a ser iniciada, mas por falta de energia no prédio I do Foro Central, teve de ser cancelada. Os irmãos são representados pela Defensoria Pública.
A vítima
Cíntia Beatriz Lacerda Glufke, 34 anos, era natural de Uberaba (MG) e morava em Porto Alegre. Ela era casada havia 12 anos com o programador Thomas Glufke. O casal se conheceu por meio de uma rede social da igreja mórmon.
Os dois teriam vivido uma crise conjugal nos meses que antecederam o assassinato de Cíntia. No dia do crime, Thomas estava em viagem a trabalho aos Estados Unidos.
Incialmente, Cíntia tinha uma relação de amizade com Vandré. Na época da morte ela estava desempregada, mas antes trabalhara com ele em um hotel da capital gaúcha. Eles também foram colegas em um curso de comissário de bordo. Vandré chegou a viajar até Uberaba para conhecer a família da amiga.



