
Dois homens foram condenados pelas mortes de um adolescente e um jovem em março de 2023. Jonathan Júnior Xavier Lopes, 16 anos, e Wesley Amaral dos Santos, 19, foram encontrados com sinais de tortura após uma tentativa de furto em um depósito credenciado pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran), em Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana.
Os condenados são Leopoldo Rausch Potter, proprietário do depósito, e Tiago Moré Martins, que era funcionário do local. Leopoldo foi condenado a 16 anos e cinco meses de reclusão; e Tiago, a 15 anos e dois meses de reclusão, ambos em regime inicial fechado. As defesas informaram que devem recorrer da decisão (veja posicionamentos abaixo).
Eles responderam pelos crimes de homicídio qualificado (por recurso que dificultou a defesa da vítima), homicídio qualificado (por recurso que dificultou a defesa da vítima e emprego de meio cruel) e ocultação de cadáver.
O julgamento, que aconteceu no Foro Central do município, começou na manhã de terça-feira (3) e foi encerrado com a sentença na quarta (4), após cerca de 26 horas de sessão.
Segundo a investigação policial, na noite de 31 de março de 2023, Wesley e Jonathan foram ao estabelecimento para furtar baterias, acompanhados de outros dois jovens que conseguiram fugir. Surpreendidos por funcionários, os dois foram capturados.
Os corpos das vítimas foram encontrados na manhã seguinte, em uma estrada próxima ao depósito, com marcas de tortura, mãos amarradas e sacos plásticos na cabeça.
Durante o interrogatório, Leopoldo Potter afirmou que um quarto homem, que teria sido contratado para fazer a vigilância naquela noite, seria o autor dos homicídios. Tanto ele quanto Tiago Martins se declaram inocentes.
Familiares das vítimas acompanharam o julgamento.
— A gente sabe que ele estava errado, mas também não deveria pagar dessa forma, dessa maneira, que é horrível — disse Eduarda Xavier Lopes, irmã de Jonathan.
Marivane Carvalho dos Santos, tia de Wesley, também falou sobre a dor da família. Para ela, os jovens poderiam ter respondido judicialmente pelo erro:
— Eles poderiam ter pagado e agora poderiam ter retornado à vida deles. Mas eles não tiveram essa chance.
Um terceiro suspeito, Rudimar da Silva Rosa, dono de uma empresa de guincho que prestava serviço para o depósito, responde em um processo separado e não fez parte deste júri. Em 2023, quando o investigado se entregou à polícia, a defesa alegou inocência.

Contrapontos
O advogado Jader Marques, responsável pela defesa de Leopoldo Rausch Potter, se manifestou em nota:
"A defesa irá oferecer o recurso de apelação, pois entende que a utilização pelo Ministério Público do Direito de Silêncio contra o réu, além de inúmeras outras nulidades gravíssimas, deve provocar a realização de um novo julgamento."
O advogado Felipe Moreira da Silva Teixeira da Paixão, representante de Tiago Moré Martins, também enviou nota:
"O júri ficou dividido e a condenação veio de uma decisão muito apertada, demonstrando que parte dos jurados entenderam e se convenceram das provas apresentadas pela defesa. Apresentamos provas que estabeleciam a hora do crime, bem como provas de que nessa mesma hora, Tiago estava em outro lugar, distante do local do fato. A maioria do conselho de sentença, no entanto, entendeu pela condenação. Contudo, em razão do acolhimento de uma tese defensiva secundária, nós conseguimos reduzir substancialmente a pena, fixando-a em patamar inferior àquela pretendida inicialmente pelo Ministério Público. Como Tiago é inocente, vamos recorrer da decisão."




