
A polícia vê como remotas as chances de encontrar com vida os três integrantes da família Aguiar desaparecidos desde janeiro em Cachoeirinha. Por isso, a investigação é tratada como um feminicídio e um duplo homicídio.
De acordo com a investigação, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, que é ex-companheiro de Silvana de Aguiar e o principal suspeito, tinha desavenças com a mulher sobre a criação do filho. O homem está preso temporariamente desde 10 de fevereiro.
Cristiano e Silvana são pais de um menino de nove anos. A mulher procurou o Conselho Tutelar para relatar que o pai não seguia suas orientações nos cuidados com o filho, que teria restrições alimentares.
— A gente tem já, na investigação, formalizado que a motivação passa pela questão da tensão existente entre o suspeito e a Silvana com relação à educação do filho — diz o delegado Anderson Spier.
O delegado afirma que a Silvana estaria planejando entrar com um processo judicial contra Cristiano.
— Existem informações que também dão conta de que ela iria procurar um advogado para tratar questões atinentes à guarda e outros elementos. Então a gente acha que isso pode ter sido o fator, o gatilho, que desencadeou a ação dele — afirma.
Outro ponto investigado é a questão patrimonial, pois a família Aguiar tinha muitos bens.
— Envolvia imóveis, casas de aluguel, apartamentos de aluguel. E a gente sabe que, em caso da morte da Silvana e dos pais dela, todos esses bens, numa sucessão, posteriormente, viriam a se tornar propriedade do neto — comenta o delegado.
Moradores da região e parentes da família se reuniram na segunda-feira (30) para protestar, pedindo maior agilidade nas investigações.
Investigados
Três pessoas ligadas ao PM também passaram à condição de investigados por suspeita de fraude processual e falso testemunho, pois estariam atrapalhando as investigações sobre o caso, segundo a polícia. Eles não são investigados por envolvimento nas supostas mortes.
— Eles já foram interrogados e pregressados, que é quando informamos das descobertas e da condição que eles passaram a ter na investigação — explica Spier.
O PM ainda deve ser ouvido novamente nesta semana. A tendência é de que seja o último depoimento antes da conclusão do inquérito. O advogado de Cristiano, Jeverson Barcellos, diz que segue atuando no caso e acompanhando o cliente.


