Mostrar para a mulher vítima de violência doméstica que existem caminhos e redes de apoio para que ela possa romper com esse ciclo é um dos objetivos principais de um mutirão realizado nesta sexta-feira (6) em Porto Alegre. A ação ocorre junto à 1ª Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Porto Alegre.
A ação é uma alusão ao Dia Internacional da Mulher, no domingo (8). Serviços socias e de saúde estão sendo oferecidos dentro do espaço do plantão e também nas proximidades, m frente à Deam e no estacionamento do Palácio da Polícia.
— O problema dessa mulher não é solucionado no momento em que ela registra a ocorrência ou que recebe a medida protetiva. Não. É um importante passo. Mas ainda assim essa mulher não está livre da violência. É preciso que ela seja fortalecida, que ela receba o apoio de toda a rede — afirma a delegada Waleska Alvarenga, titular da Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher.
Os serviços oferecidos são gratuitos e abrangem, por exemplo, atendimentos de saúde, testes rápidos, vacinação, apoio psicológico, orientações sobre defesa pessoal e atividades de autoestima, como corte de cabelo e maquiagem.
Também há encaminhamento para vagas de emprego, orientações trabalhistas, jurídicas e sobre direitos das vítimas.
— Vamos imaginar que essa mulher não tem lugar para morar. Aqui nós vamos instruir acerca do auxílio aluguel. Se ela não tem renda, também haverá o auxílio da Defesoria Pública da União para instruí-la acerca dos benefícios sociais previdenciários que ela pode requerer — explica a delegada.
Além disso, são oferecidas instruções sobre primeiros socorros e prevenção contra incêndio, num trabalho realizado pelo Corpo de Boombeiros. Além dos serviços extraordinários, as mulheres receberão orientações sobre registros de ocorrências, oitivas e encaminhamentos de polícia judiciária para apuração de infrações.
Conforme a delegada, o principal desafio de combate à violência doméstica ainda é fazer com que a vítima consiga romper o ciclo de violência.
— Pesquisas indicam que ela pode levar 10 anos em média para vencer, para pedir ajuda e, por isso, é importante hoje essa ação para que ela entenda que ela não está sozinha. Não devemos dizer o que essa mulher deve fazer, temos de estender a nossa mão e mostrar para ela que ela tem auxílio, que ela tem acolhimento e que a vida dela não está acabada. Há uma vida pela frente com muita felicidade, após esse ciclo de violência, após todo esse trauma sofrido e nós estamos aqui hoje para mostrar isso — afirma a delegada.
As ações são realizadas em parceria com a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid) do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, Ministério Público e a Rede do Sistema de Justiça para o Enfrentamento à Violência contra a Mulher, além de órgãos como a Defensoria Pública e entidades da rede de proteção às mulheres.
Como participar
- Onde fica: os atendimentos ocorrem na Delegacia da Mulher, localizada na Rua Professor Freitas e Castro, 720, no bairro Azenha, em Porto Alegre.
- Horário: o mutirão se iniciou às 10h e segue até 16h.
- Quem pode participar: os atendimentos são gratuitos e voltados a todas as mulheres que tiverem interesse.



