Dois carros, celulares, notebooks, HDs externos e pen drives foram aprendidos pela polícia em mais um ato da investigação do caso da família Aguiar, desaparecida em Cachoeirinha desde o final de janeiro.
Antes das 6h desta sexta-feira (13), equipes da Polícia Civil — acompanhadas do Corpo de Bombeiros e de cães farejadores —, cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços de familiares do suspeito e das vítimas. Além de casas, áreas de mata e terrenos foram vasculhados. Um sítio pertencente à família desaparecida, onde havia relato sobre um poço que teria sido concretado, também foi verificado em busca de algum vestígio de crime. Nada foi encontrado.
— Também realizamos buscas em um terreno ao lado da residência da mãe do suspeito. Havia uma denúncia enviada pela comunidade de que o local havia sido patrolado com uma retroescavadeira. Já tínhamos feito diligências, mas já que hoje estávamos com os cães, resolvemos corroborar a nossa informação — detalha o delegado Anderson Spier.
O local referido pelo delegado é o mesmo em que o suspeito, Cristiano Domingues Francisco, 39 anos, disse estar na tarde de 24 de janeiro, dia do desaparecimento de Silvana Germann, 48 anos.
Cristiano é policial militar e ex-companheiro de Silvana. Ela foi vista pela última vez no dia 24 de janeiro. Os pais dela, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, teriam saído em busca dela e não foram mais vistos.
Preso desde 10 de fevereiro, Cristiano teve a prisão temporária prorrogada por 30 dias, a partir de 2 de março. Ele está afastado das funções policiais e cumpre a prisão temporária no Batalhão de Operações Especiais (BOE), em Porto Alegre.
— Após depoimentos e primeiros celulares apreendidos, pessoas ligadas à família do suspeito continuavam utilizando (novos) dispositivos eletrônicos para manter conversas. Seria interessante e oportuno obtermos esses aparelhos para investigarmos a natureza dessas informações — explicou o delegado sobre o que motivou novas apreensões.
O responsável pela investigação reitera, no entanto, que ,as pessoas que tiveram itens apreendidos seguem sendo testemunhas.
Buscas
- Locais: endereços residenciais das vítimas e familiares do suspeito, terrenos, áreas de mata e poço em sítio
- Cidades: Cachoeirinha e Gravataí
- Apreensões: dois carros (de Cristiano e da atual companheira dele), eletrônicos como celulares, notebooks, HDs externos e pen drives
- Equipes: 23 policiais civis, dois bombeiros e dois cães farejadores da guarnição especializada do Canil do Batalhão de Busca e Salvamento
As buscas se deram em perímetros previamente definidos pela investigação como possíveis áreas de ocultação dos corpos, baseados em dados extraídos da perícia de celulares. Os trabalhos devem prosseguir em outros dias até que toda a área delimitada seja coberta.

Conforme o delegado, não houve movimentação bancária nas contas das vítimas desde o desaparecimento, o que reforça a linha de investigação de crimes contra a vida: um feminicídio (de Silvana) e um duplo homicídio (do casal Isail e Dalmira). Apuração de informações financeiras do suspeito e das vítimas (depósitos, aplicações, seguros, herança) seguem em curso. Alguns exames genéticos e outras perícias seguem pendentes.
Com a prorrogação da prisão temporária, está previsto um novo interrogatório de Cristiano nos próximos dias.
Contraponto
Procurado pela reportagem, o advogado Jeverson Barcellos, que atua na defesa do investigado, não retornou até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.
Quando a prisão de Cristiano Domingues Francisco foi prorrogada, a defesa divulgou a seguinte nota:
A defesa de Cristiano diante da prorrogação da prisão temporária por mais 30 dias, vai acompanhar o andamento das investigações, estando por seus familiares à disposição de manter a efetiva colaboração com as autoridades.
Por fim, irá se debruçar sobre a decisão e seus fundamentos, para analisar eventual combate por via de habeas corpus.




