
O celular de Silvana Germann de Aguiar, 48 anos, esteve sob a posse do principal suspeito pelo desaparecimento da família Aguiar, em Cachoeirinha. Nesta terça-feira (24), completam-se dois meses desde que ela foi vista pela última vez. Os pais dela, Isail e Dalmira, teriam ido procurá-la no dia 25 de janeiro e também desapareceram.
Conforme a investigação, ficou comprovado que Cristiano Domingues Francisco, policial e ex-companheiro da mulher, acessou o celular dias depois do sumiço da família Aguiar.
— Inclusive, ficou comprovado que Cristiano esteve com o celular dela nos dias 26 e 27 de janeiro, quando ele estava de serviço — informou o delegado Anderson Spier.
A polícia acredita que o telefone de Silvana permaneceu com Cristiano por dias, inclusive enquanto ele estava em serviço. Nos dias 26 e 27 de janeiro, quando ele fazia o trabalho de patrulhamento, em Canoas, pelo sinal das antenas foi comprovado que Cristiano estava com o aparelho em frente à 3° Companhia do 15° Batalhão da BM.
O suspeito deve ser ouvido novamente, porque há inconsistências em seu depoimento e contradição dos álibis apresentados. Ele teve a prisão temporária prorrogada por 30 dias, a contar de 12 de março.
Cristiano está afastado das funções militares, segundo informação da Corregedoria da Brigada Militar (BM). Ele está preso no Batalhão de Operações Especiais (BOE), em Porto Alegre.
A Polícia Civil trata os desaparecimentos como crime e diz já ter elementos para indiciar Cristiano por feminicídio (de Silvana) e duplo homicídio (Isail e Dalmira).
Telefone da vítima e as pistas do crime
O celular de Silvana foi encontrado pela polícia no dia 7 de fevereiro, em um terreno nas imediações do minimercado da família. O aparelho estava enrolado em uma toalha e debaixo de uma pedra. Uma denúncia anônima levou os policiais até o local.
Durante a investigação, perícias revelaram que o sinal das antenas apontou que o celular da Silvana esteve em uma área de mata, no município de Gravataí. A detecção do sinal do telefone foi registrada às 23h59min do dia 2 de fevereiro, mais de uma semana depois de a mulher ter sido vista pela última vez e dias antes de Cristiano ter sido preso temporariamente, em 10 de fevereiro.
A polícia ainda aguarda retorno da quebra de sigilo bancário acerca dos bens da família. Conforme o delegado, o crime que culminou no desaparecimento de Silvana foi premeditado. Já em relação ao sumiço dos idosos, fatos seguem sendo investigados e não se descarta que houve motivação financeira.
Contraponto
Procurado pela reportagem, o advogado Jeverson Barcellos, que faz a defesa do suspeito, não retornou. O espaço segue aberto para manifestações.


