
Diversos indícios levam a Polícia Civil a colocar o soldado da Brigada Militar Cristiano Domingues Francisco como principal suspeito no caso das três pessoas da mesma família desaparecidas em Cachoeirinha, na região metropolitana de Porto Alegre. Ele foi preso na terça-feira (10).
O homem é ex-companheiro de Silvana Germann de Aguiar, 48 anos. Ela e os pais, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, estão desaparecidos há 15 dias. Uma das hipóteses da investigação é de possível feminicídio e duplo homicídio.
Os principais elementos contra Domingues Francisco teriam sido obtidos a partir da quebra de sigilo telefônico dele. Estes indícios embasaram o pedido de prisão temporária.
Pela investigação, foi possível identificar uma movimentação suspeita em relação ao telefone de Cristiano e também do celular de Silvana, que teria sido encontrado nas imediações da casa dos pais. O aparelho localizado foi encaminhado para perícia, para confirmar que se trata do celular dela.
Em nota, a defesa de Cristiano Domingues Francisco afirma que ainda não teve acesso aos autos e à decisão judicial. "Não há como ter qualquer posição. Sei apenas o que está sendo veiculado na imprensa", disse o advogado Jeverson Barcellos.
A polícia tem indícios de que o suspeito esteve próximo da família Aguiar, principalmente de Isail e Dalmira, no dia do desaparecimento do casal — eles sumiram um dia depois de Silvana. Como Cristiano registrou a ocorrência, ele foi chamado para depor como testemunha.
— Na ocasião, a gente aproveitou e perguntou para ele onde ele estava na hora dos eventos. Ele nos relatou que estava jantando com um casal de amigos em um local em Cachoeirinha. Ele ofereceu a versão de que ele estava fazendo um trabalho em uma obra da família, mas esse local não tem como comprovar que ele estava lá — destaca o delegado Anderson Spier, que está à frente da investigação.
A polícia também afirma que a chave da casa dos idosos estava com o suspeito neste dia em que ele foi ouvido como testemunha.
Preso na terça, Domingues Francisco permaneceu em silêncio durante depoimento. A prisão temporária tem prazo máximo de 30 dias.
Em nota, a Brigada Militar informou que o soldado será afastado do serviço policial. A investigação é acompanhada pela Corregedoria-Geral da corporação.
Segundo relatos, Silvana e o ex-marido não tinham boa relação. Eles têm um filho de 9 anos. A criança morava com a mãe, mas passava os fins de semana na casa do pai. Recentemente, Silvana acionou o Conselho Tutelar para relatar que o menino tem restrições alimentares e que o pai desrespeitava as orientações dela sobre a dieta da criança.
Com o sumiço de Silvana, foi Cristiano quem procurou o Conselho Tutelar, recomendando que o filho ficasse com ele durante as investigações. Agora, ele está com a avó paterna.
Áudios
Após a prisão de Cristiano Domingues Francisco, a reportagem teve acesso a materiais atribuídos a ele. Em um áudio que teria sido enviado a uma conhecida na semana do desaparecimento, o suspeito pergunta sobre a investigação e reclama de demora no trabalho da polícia.
— Aproveitar e ver com o teu parente aí, ver o que eles conseguiram de imagem pra nós aí. Se a gente deixar só por eles (polícia), parece que não está progredindo — disse.
No dia 1º de fevereiro, Cristiano teria enviado uma foto de dentro da casa de Isail e Dalmira, mostrando um veículo que pertence ao casal. Em outro áudio, ele conta que entrou mais de uma vez nas casas ligadas à família Aguiar.
— Eu só estou indo muito na casa da Silvana, todos os dias, porque tem um cachorro e um gato lá. Tanto que hoje eu não fui ainda, eu preciso levar ração — afirmou.
Relembre o caso
Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, e os pais dela, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, não são vistos desde o final de janeiro. Passados mais de 15 dias, o suspeito do crime foi preso na terça-feira (10).
A perícia encontrou vestígios de sangue na casa de Silvana. O material foi coletado na quinta-feira (5). Também foram periciados dois veículos da família e a casa de Isail e Dalmira.
— Encontraram vestígios diversos de material genético, além de impressões digitais (...) Sangue também. Todos esses vestígios foram devidamente colhidos por eles e agora seguem para análise no laboratório do IGP — explica o delegado Anderson Spier, que está à frente da investigação.
Conforme o delegado, sangue foi encontrado dentro do banheiro e em uma área nos fundos da residência de Silvana. Não havia sinais de luta corporal nem de montagem de cena no local.
— Os peritos entenderam que o local estava íntegro. Não tinha nenhuma alteração que sugerisse alguma espécie de luta dentro da residência — complementa.
A polícia ainda aguarda os resultados finais das perícias que foram feitas nas casas, no minimercado da família e em imagens de câmeras de segurança que mostram a movimentação nos dias dos desaparecimentos.

Cartucho de festim
A Polícia Civil confirmou que o cartucho encontrado na residência do casal de idosos é de festim. Festim é um tipo de munição que simula um disparo real, com barulho e fumaça, sem arremessar um projétil. Contém pólvora e pode ser usado em treinamentos, cerimônias militares e efeitos especiais para produções audiovisuais.

