
O mistério sobre o paradeiro de três pessoas da mesma família em Cachoeirinha, na Região Metropolitana, teve avanços nesta terça-feira (10). Após a prisão do ex-companheiro de Silvana Germann de Aguiar, 48 anos, que desapareceu em 24 de janeiro, a Polícia Civil suspeita que a mulher tenha sido vítima de feminicídio.
Em relação aos pais dela, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, a polícia acredita que eles possam ter sido vítimas de um duplo homicídio. Apesar dessa linha de investigação ser considerada a mais consistente no momento, nenhum corpo foi localizado até agora.
O soldado da Brigada Militar Cristiano Domingues Francisco, que atuava no município de Canoas, na Região Metropolitana, foi preso nesta manhã de forma temporária. Ele manteve relacionamento com Silvana, com quem também tem um filho, um garoto de nove anos.
— Nesse primeiro momento da investigação, nós conseguimos identificar, através do trabalho de análise de dados de inteligência, dados que demonstravam que a autoria estava, no primeiro momento, direcionada para essa linha de investigação. Então, representamos pela prisão temporária exatamente para que a gente possa coletar outros dados e aprofundar mais detalhes sobre a participação dele no crime — disse o delegado regional, Anderson Spier.
A polícia aguarda também as perícias de melhoramento nas imagens de carros entrando e saindo da casa de Silvana, na noite de 24 de janeiro. Até o momento, cerca de 30 pessoas foram ouvidas pela investigação.
A prisão foi realizada nesta manhã pela Polícia Civil, junto da Corregedoria-Geral da Brigada Militar. Após ser preso, o investigado preferiu permanecer em silêncio. Segundo a polícia, até o momento ele ainda não apresentou defesa constituída. O espaço está aberto para manifestação.
Confira outros pontos que foram abordados na coletiva da Polícia Civil nesta manhã:
Motivação
Apesar da prisão temporária, para a polícia ainda não está claro o que pode ter motivado o crime contra a família.
— Por enquanto, a gente não tem ainda nada de concreto para poder afirmar temos algumas ideias, mas, ainda nada que possa ser afirmado com precisão — disse o delegado Spier.
Outros envolvidos
A polícia disse que neste momento a suspeita recai sobre o ex-companheiro. Ainda assim, não descarta que possa haver o envolvimento de mais pessoas.
— Nesse primeiro momento, só temos notícia e elementos da participação, da prática do crime, por ele. Não temos ainda nenhuma outra pessoa envolvida. Mas, não descartamos que possam surgir outras pessoas. Tem vários carros nas imagens, tem circunstâncias que ainda precisam ser esclarecidas não descartamos essa hipótese — disse o delegado Spier.
Projétil
Segundo a polícia, uma das análises periciais apontou que um projétil que tinha sido encontrado na casa de Isail e Dalmira era de festim. Isso leva a polícia a suspeitar que o cartucho não tenha vinculação com o sumiço.
Momento do sumiço
Silvana foi vista pela última vez no mercado do pais, na Vila Anair, no sábado, dia 24, onde também trabalhava. Depois disso, à noite, postagens foram realizadas nas redes sociais dela, informando que teria sofrido um acidente no retorno de Gramado, na Serra. No entanto, esse acidente não teria acontecido e a suspeita é de que a mulher nunca fez a viagem. A postagem pode ter sido um meio de tentar despistar familiares.
O último momento em que os pais de Silvana foram vistos com vida foi quando embarcaram num veículo, na tarde de domingo, dia 25 de janeiro. A suspeita é de que teriam ido procurar por Silvana. No mesmo dia, eles tinham ido com a própria Kombi até a 2ª Delegacia de Polícia de Cachoeirinha, que estava fechada por ser domingo. Como não conseguiram registrar o sumiço de Silvana, voltaram para casa. Depois disso, saíram no meio da tarde neste outro veículo, ainda não identificado.
Os carros
A polícia informou que a Kombi do casal estava dentro da garagem da casa, na Vila Anair. Da mesma forma, o carro de Silvana também foi localizado na casa dela, no bairro Parque Granja Esperança.
Sangue
A polícia informou que ainda aguarda o resultado da perícia que encontrou vestígios de sangue na casa de Silvana. Conforme o delegado Anderson Spier, o sangue foi encontrado dentro do banheiro e em uma área nos fundos da residência de Silvana. Não havia sinais de luta corporal nem de montagem de cena no local.
Celular
A polícia disse ainda que aguarda a análise de um celular encontrado nas proximidades da casa dos idosos. O aparelho foi recolhido no último sábado e passa por perícia para análise e extração de dados.
O que diz a BM
A Brigada Militar emitiu uma nota sobre o caso. Confira:
A Brigada Militar informa que, na manhã desta terça-feira (10/2), a Polícia Civil e a Corregedoria-Geral da Brigada Militar realizaram a prisão temporária de um policial militar, em razão das investigações sobre o desaparecimento de três pessoas de uma mesma família de Cachoeirinha.
As investigações estão a cargo Polícia Civil e a Corregedoria-Geral acompanha o caso.
Em decorrência da prisão, o policial militar será afastado do serviço policial, conforme previsto na legislação vigente, permanecendo a adoção de próximas providências internas condicionada à conclusão das investigações.
No momento, não serão concedidas entrevistas, tendo em vista que as investigações ainda estão em andamento.


