
O mistério sobre o desaparecimento de Silvana Germann de Aguiar, 48 anos, e dos pais, Isail e Dalmira Aguiar, de 69 e 70 anos, mobiliza a Polícia Civil em um caso ainda sem desfecho e que completa um mês nesta terça-feira (24). Preso temporariamente desde 10 de fevereiro, o ex-companheiro de Silvana, Cristiano Domingues Francisco, é apontado como suspeito. Ele permaneceu em silêncio em depoimentos à polícia.
Há 30 dias, uma publicação em uma rede social, na qual Silvana afirmava ter sofrido um acidente de trânsito no retorno de uma viagem a Gramado, desencadeou a investigação. O acidente, segundo a polícia, nunca aconteceu. Para a investigação, os fatos sustentam a existência de crime: um suposto feminicídio da mulher e o duplo homicídio dos pais, que teriam saído de casa em busca de Silvana depois do post da filha.
— Pelo apontamento da perícia, não houve luta corporal. As amostras de sangue encontradas na casa da desaparecida foram em pequena quantidade. Com o uso de luminol, foram encontradas apenas gotículas — diz o delegado Anderson Spier.
Diferentemente de casos que envolvem esfaqueamentos ou tiros com arma de fogo, a quantidade e a forma com que o sangue estava espalhado são indícios importantes para a análise das circunstâncias do fato, explica o delegado.
As amostras encontradas pertencem a duas pessoas distintas. Conforme o Instituto Geral de Perícias (IGP), o material genético localizado na pia do banheiro é de uma pessoa do sexo feminino. Já o encontrado na área de serviço é de alguém do sexo masculino.
A Polícia Civil considera concluir o inquérito que investiga o sumiço da família Aguiar mesmo sem localizar os desaparecidos.
A Zero Hora, a defesa de Cristiano afirma que, desde a última sexta-feira (20), não teve mais retorno da polícia sobre a investigação. O advogado Jeverson Barcellos diz aguardar uma cópia do inquérito para, somente depois, se manifestar. Segundo o representante do suspeito, a falta de acesso ao inquérito é um dos motivos pelo qual Cristiano se manteve em silêncio no último depoimento.
O que se sabe sobre o caso
Suspeito preso e perícias sem prazo para divulgação
O ex-companheiro de Silvana, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, está preso temporariamente por suspeita de envolvimento no caso.
Perícias realizadas durante as investigações devem trazer à tona o conteúdo de ligações e mensagens trocadas por Cristiano e Silvana via celular. Laudos sobre de quem são as amostras de sangue encontradas na casa da mulher também estão em análise.
A polícia não divulga quaisquer prazos para a divulgação dos resultados.

Mulher não tem registro policial contra ex-companheiro
A Polícia Civil afirma que não havia registro de ocorrência policial, bem como não havia nenhuma ação por cobrança de pensão de Silvana contra Cristiano.
As divergências em relação ao filho, segundo o delegado, eram quanto à criação do menino, o que incluía a alimentação. Junto ao Conselho Tutelar, a mãe da criança fez um comunicado relatando que Cristiano desrespeitava as restrições alimentares do filho.
Conforme o delegado, o suspeito tem boletins "sem gravidade" referentes ao trabalho como policial. O conteúdo das ocorrências não foi informado:
— Seguimos aguardando a perícia. É um caso delicado pela complexidade dos desaparecimentos. Ouvimos testemunhas, e a polícia trabalha, até o momento, com um único suspeito.
A investigação é acompanhada pela Corregedoria-Geral da Brigada Militar. Em nota, o órgão afirma que "o policial militar foi afastado do serviço imediatamente após o cumprimento do mandado de prisão temporária, no dia 10 de fevereiro" e que, "no momento, não serão divulgadas informações adicionais, em razão do sigilo da investigação".

A última mensagem do celular de Silvana
Pelo WhatsApp, Silvana teria combinado a entrega do filho para a madrasta — atual companheira de Cristiano —, já que, naquele final de semana, o menino ficaria com o pai. Segundo a polícia, essa foi a última mensagem registrada no celular antes do desaparecimento.
A atual companheira do investigado prestou depoimento no dia 19 de fevereiro. Conforme o advogado Jeverson Barcellos, ela é tratada como testemunha pela polícia.
— Ela já prestou depoimento e colaborou com toda a investigação, apresentando inclusive a senha do celular, senha do notebook, comprovantes do local em que ela estava. 100% de colaboração com a investigação — disse Barcellos, na ocasião.
Locais onde o suspeito esteve no dia do desaparecimento
À polícia, Cristiano chegou a dizer que, na data do desaparecimento da ex-companheira, esteve, durante o dia, em uma obra da família. À noite, teria ido jantar em um restaurante.
A primeira declaração do suspeito ainda é investigada. Não havia câmeras de videomonitoramento no local indicado. Já o segundo fato foi comprovado pela polícia mediante relato de testemunhas. Conforme o delegado, um casal de amigos de Cristiano esteve com o investigado e confirmou o encontro.


