
Juliane Cristina Schuster, 30 anos, e o ex-marido dela Fabiano Luís Fleck, 37, foram encontrados mortos em uma residência localizada na Rua das Flores, no interior de Santa Clara do Sul, no Vale do Taquari, na manhã desta terça-feira (10).
O crime teria ocorrido na noite de segunda-feira (9). Uma terceira pessoa — apontada como sendo o atual namorado de Juliane — foi localizada com ferimentos, sendo socorrida e encaminhada para o Hospital Bruno Born, em Lajeado. Na tarde desta terça, o paciente foi transferido para tratamento em Porto Alegre, devido à complexidade do caso.
Juliane foi encontrada morta com marcas de diversos tiros dentro da casa. O ex-marido estava na garagem. Ele apresentava marcas de disparos e de atropelamento. O corpo estava sob uma caminhonete modelo Amarok.
Segundo a Polícia Civil, o suspeito dos crimes é um outro ex-companheiro de Juliane, um homem de 45 anos. Ela tinha medida protetiva de urgência contra ele desde dezembro de 2025.
O suspeito está foragido e é procurado pela polícia. Conforme a Brigada Militar, o homem é o proprietário da Amarok encontrada na residência e possui diversos antecedentes criminais.
Violência contra a mulher
Pais de duas meninas
Juliane e Fabiano eram pais de duas meninas, uma de cinco e outra de 13 anos. A mais nova, de cinco anos, foi encontrada com vida trancada em outro cômodo da casa. A filha adolescente residia com uma avó e não estava na residência.
Em entrevista ao programa Gaúcha Mais, da Rádio Gaúcha, o delegado Felipe Cano, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Lajeado, disse que a criança informou que o suspeito entrou armado na residência:
— Ele estava com uma arma, a vítima sobrevivente refere isso e a criança informalmente mencionou isso. Não foi encontrado uma arma no local, provavelmente ele se evadiu dali com a arma.
A menina foi entregue aos cuidados de familiares. Apesar de separados, conforme o delegado, Juliane e Fabiano mantinham uma boa relação e ele costumava frequentar a casa da ex para ver as filhas.
Ainda de acordo com Felipe Cano, o suspeito e Juliane haviam discutido anteriormente porque ele iria passar por uma audiência devido a uma ação movida por ela contra ele.
— Esses fatos se encontram em processo, em fase de audiência entre as partes. Nas próximas semanas haveria uma audiência entre as partes e esse suspeito estaria desconfortável com essa situação, o que poderia ter sido o motivo que despertou tamanha fúria dele para realizar esse fato nesta manhã — acrescentou o delegado.
Com a morte de Juliane, o RS chega a 13 feminicídios no ano.
O crime
Uma guarnição da BM foi acionada na manhã desta terça-feira (10) após a informação de que um veículo – uma caminhonete Amarok – havia invadido a garagem de uma residência. No local, os policiais constataram a presença do automóvel, que colidiu contra o imóvel, e localizaram dois corpos, sendo uma mulher no interior da residência e um homem sob o veículo.
O outro homem, que também apresentava sinais de atropelamento, foi encontrado com vida.
Segundo a Polícia Civil, os dois homens conversavam em frente a residência quando o suspeito chegou ao local. Ele atropelou os dois e depois ingressou com o carro na residência. Parte da estrutura da casa foi destruída com o impacto.
O atual namorado de Juliane permaneceu, com vida, embaixo do veículo e só foi retirado quando o socorro chegou ao local. Já o ex-marido, além de ter sido atropelado, foi atingido por um disparo. Ainda conforme a polícia, a mulher foi alvejada enquanto tomava banho.
Medidas de Proteção
Quem pode pedir medida protetiva?
Qualquer mulher que esteja em situação de violência doméstica. Não é preciso ser casada com o agressor.
O que é considerado violência doméstica?
A Lei Maria da Penha prevê não somente a violência física, mas também:
- Sexual (forçar relação ou forçar gravidez, por exemplo)
- Patrimonial (subtrair bens, valores, documentos)
- Moral (calúnia, difamação ou injúria)
- Psicológica (ridicularizar, chantagear, ameaçar, humilhar, isolar e impedir contato com amigos e familiares, vigiar, controlar, impedir de trabalhar e/ou de estudar, impedir de usar telefone/redes sociais).
Como posso obter a medida protetiva?
A mulher agredida deve se dirigir à Delegacia de Polícia ou Delegacia da Mulher mais próxima. Se precisar de proteção para si ou para os filhos, pode solicitar as medidas protetivas específicas e a própria Delegacia de Polícia encaminha o pedido ao juiz. Se for agredida em casa, a vítima deve sair do local para evitar que o agressor utilize objetos como faca e arma de fogo.
Onde buscar ajuda
Brigada Militar – Ligue 190
Se a violência estiver acontecendo, a vítima ou qualquer outra pessoa deve ligar imediatamente para o 190. O atendimento é 24 horas em todo o Estado.
Polícia Civil
Se a violência já aconteceu, a vítima deverá ir, preferencialmente à Delegacia da Mulher, onde houver, ou a qualquer Delegacia de Polícia para fazer o boletim de ocorrência e solicitar as medidas protetivas.
Em Porto Alegre, há duas Delegacias da Mulher:
- Uma fica na Rua Professor Freitas e Castro, junto ao Palácio da Polícia, no bairro Azenha. Os telefones são (51) 3288-2173 ou 3288-2327 ou 3288-2172 ou 197 (emergências);
- A outra fica entre as zonas Leste e Norte, na Rua Tenente Ary Tarrago, 685, no Morro Santana. A repartição conta com uma equipe de sete policiais e funciona de segunda a sexta, das 8h30min ao meio-dia e das 13h30min às 18h.
- As ocorrências também podem ser registradas em outras delegacias. Há DPs especializadas no Estado. Veja aqui a que fica mais próxima.
Delegacia Online
É possível registrar o crime pela Delegacia Online da Mulher (clique aqui), sem ter que ir até a delegacia, e também solicitar medida protetivas de urgência.
Como solicitar a medida protetiva online
- A vítima deve acessar o site da Delegacia de Polícia Online da Mulher, registrar a ocorrência pela internet e preencher um formulário de avaliação de risco;
- A mulher pode solicitar medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da Penha – como afastamento do agressor da residência, proibição de aproximação, restrição de porte de arma, entre outras;
- Um filtro de urgência será aplicado ao caso, que será direcionado aos plantões policiais do Estado;
- A ocorrência e o pedido de medidas protetivas são encaminhados em até 48 horas ao Poder Judiciário, que deve decidir em até outras 48 horas;
- A vítima receberá confirmação do protocolo, explicação do fluxo e orientação para procurar um local seguro enquanto aguarda a decisão;
- No caso de concessão da medida, um oficial de Justiça intima o agressor;
- A Polícia Civil e a Brigada Militar são informadas e passam a fazer monitoramento a distância, aguardando informações do Poder Judiciário ou da própria vítima e familiares em relação ao descumprimento da medida. Também há o monitoramento eletrônico com tornozeleiras – hoje há cerca de 300 agressores monitorados no RS;
- Se o agressor desobedecer a medida (por exemplo, se aproximar da vítima), pode vir a ser preso em flagrante.
Central de Atendimento à Mulher 24 Horas – Disque 180
Recebe denúncias ou relatos de violência contra a mulher, reclamações sobre os serviços de rede, orienta sobre direitos e acerca dos locais onde a vítima pode receber atendimento. A denúncia será investigada e a vítima receberá atendimento necessário, inclusive medidas protetivas, se for o caso. A denúncia pode ser anônima. A Central funciona diariamente, 24 horas, e pode ser acionada de qualquer lugar do Brasil.
Ministério Público
O Ministério Público do Rio Grande do Sul atende em qualquer uma de suas Promotorias de Justiça pelo Interior.
Neste espaço é possível acessar o atendimento virtual, fazer denúncias e outros tantos procedimentos de atendimento à vítima. Acesse aqui o site.
Defensoria Pública – Disque 0800-644-5556
Para orientação quanto aos seus direitos e deveres, a vítima poderá procurar a Defensoria Pública, na sua cidade ou, se for o caso, consultar advogado(a).
Centros de Referência de Atendimento à Mulher
Espaços de acolhimento/atendimento psicológico e social, orientação e encaminhamento jurídico à mulher em situação de violência.








