
A Polícia Civil indiciou nesta sexta-feira (6) um professor de dança e influenciador por ameaça e cárcere privado da ex-namorada em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos. Os episódios aconteceram entre agosto do ano passado e janeiro de 2026, quando a relação terminou.
De acordo com o delegado Alexandre Quintão, a vítima procurou a polícia em 15 de janeiro. A vítima teria relatado uma série de violências que teriam sido sofridas durante o período que manteve o relacionamento com o suspeito.
— No mesmo dia a juíza deu as medidas protetivas de proibição de aproximação da vítima, proibição de entrar em contato e proibição de exposição da vítima em rede social — explicou o delegado.
Agora, o caso aguarda por audiências na Justiça. Zero Hora apurou que o indiciado é Vinicius de Moraes Martins, que atuaria como professor de dança em uma academia no Vale do Sinos. O jovem é influenciador nas redes sociais, acumulando 1,7 milhões de seguidores no Instagram.
Em nota publicada nas redes sociais, ele afirmou que a sua conduta sempre foi pautada "por respeito e pela integridade com todos" à sua volta. O advogado Daniel Hartz Anacleto, responsável pela defesa do suspeito, disse se preocupar com a divulgação de informações que vem ocorrendo sobre o caso e fala em "linchamento digital".
"A antecipação de culpa, estimulada por exposições públicas e narrativas incompletas, causa danos muitas vezes irreversíveis à honra, à imagem e à dignidade das pessoas envolvidas". (veja a íntegra abaixo).
Vítima expôs situação nas redes sociais
O caso ganhou repercussão nas redes sociais nesta semana, quando a vítima, Victória Policarpo, fez um vídeo relatando os episódios de violência nos cinco meses que alega ter mantido a relação.
Na gravação, publicada no Instagram, a jovem relata que o ex-namorado era uma pessoa ciumenta e possessiva.
— No dia 25 de novembro aconteceu o episódio do cárcere privado. Eu encontrei no telefone dele diversas traições com diversas mulheres, era um flerte nojento com coisas bem explícitas. Tentei terminar e ele não aceitou, trancou toda a casa dele e lá eu fiquei por praticamente 30 horas. Eu cheguei a ligar para minha amiga. Ele me ameaçou e aí eu tive que desligar o telefone. E não consegui mais pedir ajuda para ela — relatou.
A vítima relata que decidiu romper a relação quando teve acesso a um celular secundário do agressor. Segundo Victória, o suspeito utilizava inteligência artificial para manipular e montar imagens explícitas com fotos de diversas dela e de outras mulheres.
Contraponto
O que diz o suspeito
O que diz a defesa da vítima
"A Defesa de Victória atuará como assistente de acusação e informa que, na data de hoje, o agressor foi indiciado pelos crimes praticados contra a vítima, no contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher.
Foram deferidas medidas protetivas em favor de Victoria, as quais ainda vigoram.
Neste momento, aguardamos o oferecimento da denúncia formal pelo Ministério Público, para que o acusado seja citado à responder ao processo criminal.
A atuação da assistência à acusação segue pautada por acolhimento sensível e humanizado, com foco na proteção integral da vítima, na prevenção de novas violências e na busca para que o agressor seja responsabilizado pelos crimes que cometeu. Todas as medidas legais cabíveis estão sendo adotadas para evitar a revitimização, garantir segurança efetiva e impedir que outras mulheres sejam submetidas a situações semelhantes de violência.
Reforçamos que mulheres que vivenciam qualquer forma de violência não estão sozinhas e têm direito à proteção do Estado e ao acesso à justiça.
Por respeito à vítima e ao andamento do processo, novas informações serão divulgadas apenas em momento oportuno.
Eduarda Brandolff
Advogada – Assistente de Acusação
OAB/RS 118015"
O que diz a defesa do suspeito
"A defesa de Vinícius vem a público manifestar preocupação com a formação de opiniões precipitadas a partir da divulgação de apenas uma versão dos fatos, especialmente quando tais narrativas passam a circular amplamente nas redes sociais e em veículos de comunicação antes de qualquer apuração conclusiva pelo Poder Judiciário.
É importante esclarecer que, por determinação judicial, Vinícius está legalmente impedido de expor, divulgar ou apresentar materiais que digam respeito à pessoa que o acusa, ainda que tais elementos pudessem ser utilizados para contextualizar ou contraditar publicamente as acusações que vêm sendo feitas. O cumprimento rigoroso dessas determinações é uma opção consciente da defesa, em respeito à Justiça e ao devido processo legal.
Por essa razão, Vinícius tem se manifestado exclusivamente nos autos do processo, que é o espaço legítimo para produção de provas, exercício do contraditório e ampla defesa. É nesse ambiente institucional, técnico e imparcial que todos os fatos serão devidamente esclarecidos, com responsabilidade, equilíbrio e observância da lei, permitindo que a verdade seja restabelecida.
A defesa também chama atenção para o grave fenômeno do linchamento digital que Vinícius vem sofrendo, com ofensas, ataques pessoais e consequências profissionais severas, sem que ele sequer seja réu em ação penal, tampouco tenha havido qualquer julgamento. A antecipação de culpa, estimulada por exposições públicas e narrativas incompletas, causa danos muitas vezes irreversíveis à honra, à imagem e à dignidade das pessoas envolvidas.
Por fim, a defesa reafirma sua confiança no Poder Judiciário e faz um apelo à sociedade e aos veículos de comunicação para que tratem o caso com prudência, responsabilidade e respeito às garantias fundamentais, lembrando que o Estado Democrático de Direito se sustenta, justamente, na presunção de inocência e no devido processo legal.
Daniel Hartz Anacleto,
Advocacia Criminal."
Denuncie ou peça ajuda
- Secretaria da Segurança Pública: 181
- Brigada Militar: 190 (24 horas para emergências)
- Polícia Civil: 197 (24 horas para emergências)
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- Delegacias: em qualquer delegacia de polícia ou em uma das 23 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam) e 92 Salas das Margaridas do Estado
- Delegacia Online: neste site
- Central de Atendimento à Mulher: 180 e WhatsApp: 55 (51) 98444-0606
- Defensoria Pública: 0800-644-5556
- Ministério Público — em qualquer promotoria ou pelo endereço eletrônico (neste link)
- Centros de Referência em Atendimento à Mulher no RS: neste link


