
Num cemitério na área rural de Santa Clara do Sul, no Vale do Taquari, a agricultora Marisa Inês Butge, 47 anos, amparava nos braços no fim da manhã desta quarta-feira (11) as filhas da sobrinha Juliane Cristine Schuster, 30 anos. As meninas, de 13 e cinco anos, perderam a mãe e o pai num caso brutal ocorrido nesta semana no município de 6,8 mil habitantes.
Juliane teve a casa invadida na noite de segunda-feira (9) pelo ex-companheiro. Dirigindo uma caminhonete Amarok e armado com um revólver, Elton Luiz Leuze, 58 anos, avançou em direção à garagem da casa da ex. Ele e Juliane mantiveram um relacionamento de um ano e nove meses, e chegaram a residir juntos no Litoral Norte, mas estavam separados havia cerca de um ano.
Dentro da garagem, Leuze atingiu com o veículo o atual namorado de Juliane, um homem de 45 anos, que segue hospitalizado. Baleou ainda o ex-marido de Juliane, Fabiano Luís Fleck, 37 anos, que estava no local visitando a filha de cinco anos. O pedreiro não resistiu aos ferimentos. Dentro da casa, Juliane gritou para que a filha se escondesse no quarto e passasse a chave. A menina obedeceu a mãe.

Juliane, que estava no banheiro, foi alvejada por disparos e morreu no local. O fim trágico foi o desfecho de uma relação breve, mas marcada por violências. Em novembro do ano passado, Juliane procurou a polícia e obteve medidas protetivas contra o ex. Elton estava proibido de se aproximar dela ou manter qualquer tipo de contato.
— Ela tinha muito medo dele. Eles estavam um ano e pouco juntos e ele começou a bater nela. Ela tentou fugir de lá. Um dia, veio lá em casa e disse que ele mandou mensagem, mas depois nunca mais tivemos notícias dele. Esses dias ele mandou uma mensagem dizendo que ele gostava dela e ela tinha largado ele. Mas aí ela falou "eu te larguei porque tu me batia" — recorda a tia.
Elton Luiz Leuze foi encontrado morto em frente à sede da Brigada Militar de Santa Clara do Sul nesta quarta-feira (11). A suspeita é de que o homem tenha tirado a própria vida.
Começando a reconstruir a vida

Marisa conta que a sobrinha retornou para Santa Clara há pouco mais de um ano. As filhas, na época, viviam com o pai, mas a caçula foi morar com a mãe, após o retorno dela para a cidade natal. Juliane e Fabiano mantinham um bom relacionamento.
— Eles eram como irmãos. Ele foi o primeiro namorado dela. Ficaram juntos por 12 anos. O casamento acabou, mas eles continuavam amigos. Eles se davam super bem. Ele era um pai muito dedicado. Fazia tudo pelas meninas — diz a tia.
Juliane estava trabalhando em um supermercado na área central de Santa Clara do Sul e comemorava o fato de que estava começando a reconstruir a vida.
— Ela estava super feliz. Ela me disse semana passada: "Tia, estou juntando os caquinhos para refazer minha vida". E agora vem o infeliz e tira a vida dela. Deixou duas crianças órfãs — desespera-se.
Choro angustiado no enterro

As duas filhas acompanharam o enterro dos pais nesta manhã, ao lado dos familiares, num cemitério arborizado no interior de Santa Clara. A pequena amparava-se, segurando a mão da irmã mais velha. Assim que o caixão onde estava o corpo do pai foi levado à sepultura, a adolescente se desesperou. O choro angustiado quebrou o silêncio. Minutos depois, a pouco metros, no mesmo cemitério, repetiu-se a cena quando o féretro da mãe foi sepultado.
Nas redes sociais, Juliane mantinha uma foto com as duas filhas, junto da mensagem "Pedi pra Deus me fazer feliz e ele me tornou mãe".



