
Golpes envolvendo investimentos estão entre os que mais preocupam a Polícia Civil gaúcha. Isso porque podem levar vítimas a perder percentuais relevantes do patrimônio, como o caso de um idoso de Porto Alegre que teve um prejuízo de R$ 1,8 milhão.
A fraude tem diversas faces: pirâmides financeiras, golpes com criptomoedas e falsos gestores e assessores. Mas a isca é quase sempre a mesma: promessa de lucros acima dos normalmente vistos no mercado. Especialista ouvido pela reportagem (saiba mais abaixo) dá a dica: se estão te dizendo que é fácil obter rendimentos superiores aos do maior investidor da história, desconfie.
Uma versão investigada nos últimos meses no Rio Grande do Sul é o da falsa corretora de investimentos, por conta da complexidade do trabalho, uso de engenharia social e valores envolvidos.
A tática simula uma estrutura de uma assessoria de investimentos em ativos financeiros e moedas digitais.
Os golpistas criam anúncios na internet, direcionados a pessoas que pesquisam o tema. Depois, a quadrilha entra em contato com o alvo por meio de aplicativos de mensagens e disponibiliza um site no qual, em tese, o cliente pode observar a valorização do patrimônio.
A vítima deposita dinheiro e a plataforma é manipulada pelos criminosos, que simulam uma valorização do valor investido, que, de fato, não ocorre.
A fraude também costuma exigir mais aplicações para que a vítima possa ter acesso ao dinheiro ou estipula "metas de investimentos", o que aumenta o prejuízo. Por fim, o site é tirado do ar e os "assessores" somem com o dinheiro.
Promessa de lucro acima do mercado
Apesar das diferenças, o atrativo principal dos golpes envolvendo investimentos é a valorização do patrimônio acima da média do mercado. Segundo a polícia, são comuns relatos de oferta de lucros superiores a 30% em poucos meses ou valorizações diárias de 1%.
Marcelo Perlin, professor da Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e especialista em mercado financeiro, usa a trajetória de Warren Buffett, considerado um dos melhores investidores da história, para traçar uma comparação entre aplicações reais e golpes. O norte-americano teve uma média de rentabilidade anual próxima de 20% ou na casa de 1,5% ao mês por seis décadas.
— Como essa pessoa consegue 30% ao mês se o melhor investidor do mundo consegue 1,5%? É uma pergunta que ajuda a mostrar se o investimento pode ser um golpe — pontua.
Em qualquer taxa acima de 15% ao ano (ou 1,2% ao mês), você deve desconfiar
MARCELO PERLIN
Especialista em mercado financeiro
Como se proteger
Conforme Perlin, a principal dica é ter cautela com promessas atraentes. A busca por retornos altos é acompanhada de riscos igualmente elevados. No entanto, existem alternativas seguras e acessíveis para quem deseja investir, mesmo com pouco conhecimento na área. No Brasil, há opções como o Tesouro Direto, além de investimentos bancários como CDB, LCI e LCA.
Outro indicativo de golpe pode ser a falta de transparência de onde e como será investido o dinheiro. Em fraudes, essas informações costumam ser vagas ou não são compartilhadas sob a justificativa de que não podem ser divulgadas.
No caso da bolsa brasileira, esses dados são públicos e podem ser consultados no site da B3 e ou nas plataformas de atendimento das empresas.
Outras dicas
- Um dos princípios básicos do investimento é não aplicar recursos naquilo que não se entende.
- Verifique se a empresa é autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que oferece também um quiz que ajuda a identificar um golpe financeiro (acesse aqui).
- Nunca transfira dinheiro para contas de pessoas físicas indicadas por supostos consultores.
- Não invista seguindo orientação de uma empresa que não possui sede física para ser verificada e que não possui referência de atendimento autêntico.



