
Às 11h33min do dia 25 de janeiro, foi registrada a última ligação no telefone de Silvana Germann de Aguiar, 48 anos. O contato foi feito do celular da mulher para o telefone fixo do minimercado da família, localizado em Cachoeirinha. Desde aquele final de semana, tanto Silvana quanto os pais, Dalmira e Isail, não foram mais vistos.
O celular de Silvana foi encontrado somente 13 dias depois, em um terreno nas imediações do minimercado. O aparelho estava enrolado em uma toalha e debaixo de uma pedra. Uma denúncia anônima levou a polícia ao local, no dia 7 de fevereiro.
— O celular dela passou por perícia para extração de mensagens e ligações, e também para verificar se tinha impressões digitais, mas não foram encontradas — informou o delegado Anderson Spier.
Além da ausência de provas na tentativa de identificar quem manipulou o aparelho, a câmera do celular também estava tapada com uma fita adesiva.
A última ligação registrada no aparelho aconteceu um dia depois de Silvana ter sido vista pela última vez — e horas antes de os pais dela também sumirem.
A mãe da desaparecida chegou a relatar a uma vizinha o contato telefônico com a filha, que dizia estar bem. No entanto, a polícia ainda não confirma se era mesmo Silvana no outro lado da linha e nem qual era a localização da mulher no momento do contato.
O Instituto-Geral de Perícias (IGP) afirma que as perícias "seguem rigorosos critérios técnicos e metodológicos, observando protocolos e normas vigentes" e que, "por esse motivo, neste momento, não é possível estabelecer um prazo para a finalização".
Complexidade do caso passa pelo perfil do suspeito
Preso temporariamente desde 10 de fevereiro, o ex-companheiro de Silvana, Cristiano Domingues Francisco, é apontado como suspeito de envolvimento no caso. Ele compareceu três vezes à delegacia — uma vez como testemunha e duas como suspeito — e permaneceu em silêncio nos últimos depoimentos.
Soldado da Brigada Militar (BM) desde 2009, Cristiano atuava no patrulhamento ostensivo em Canoas. O conhecimento do policial, com mais de uma década de experiência na área da segurança pública, é apontado pela Polícia Civil como um dos aspectos mais complexos para a investigação (veja o vídeo acima).
— Estamos diante de alguém que conhece o trabalho policial e fez tudo pensando em dificultar a investigação, esconder provas — acrescenta o delegado Anderson Spier.
A Polícia Civil diz já ter elementos para indiciar Cristiano, mas ainda aguarda subsídios para concluir o inquérito e remetê-lo para o Ministério Público e o Judiciário.
Cristiano foi afastado do serviço policial imediatamente após o cumprimento do mandado de prisão temporária. A Corregedoria da BM acompanha o caso e afirma que a investigação é de responsabilidade da Polícia Civil.
O advogado de Cristiano, Jeverson Barcellos, afirma que não teve acesso ao inquérito para se manifestar sobre as investigações.



