
Aumentou para seis o número de alunos com sinais de intoxicação depois de uma aula de natação em uma piscina da rede C4 GYM, no bairro Parque São Lucas, zona leste de São Paulo. No sábado (7), a professora Juliana Faustino Bassetto morreu após nadar na mesma piscina. As informações são do g1.
Nesta terça-feira (10), Severino José da Silva, 43 anos, prestou depoimento no 47° Distrito Policial do Parque São Lucas. Ele é manobrista e responsável pela manutenção da piscina da academia.
As autoridades suspeitam que a manipulação de produtos químicos para limpeza da piscina próximo à área da aula pode ter afetado os alunos, pois o espaço é fechado e pouco ventilado.
Quem são as vítimas?
Além da aluna que morreu, outras cinco pessoas precisaram de atendimento médico, incluindo Vinicius de Oliveira, marido de Juliana Bassetto. Ao todo, as vítimas são:
- Vinicius de Oliveira, marido de Juliana: internado em estado grave na UTI, com insuficiência respiratória;
- Adolescente de 14 anos: internado em estado grave na UTI;
- Aluna de 29 anos: internada na UTI após sentir náuseas, vômitos e diarreia;
- Aluno internado em leito comum; e
- Quinta vítima: não foi divulgada mais informação sobre o seu estado de saúde.
Segundo relatos, os alunos sentiram um cheiro químico intenso, seguido de queimação nos olhos, nariz e pulmões, além de episódios de vômito.
O que disse o manobrista
Severino afirmou que seguia ordens de um dos sócios da academia C4 GYM, que repassava as orientações pelo WhatsApp.
Ele trabalhava há cerca de três anos no local e contou que também era responsável por abrir a unidade e realizar a manutenção das piscinas.
O sócio da academia, identificado como Celso, determinava as funções de Severino. Ele orientava o uso de produtos químicos por mensagens, a partir de fotos enviadas com os testes da água.
O manobrista contou à polícia que nunca recebeu treinamento, habilitação técnica ou equipamentos de proteção individual (EPIs) para manusear produtos químicos, embora realizasse a manutenção da piscina. De acordo com Severino, Celso sabia sobre a falta de preparo.
Ele também disse que aprendeu o procedimento com o antigo manobrista da academia, que já executava a mesma função.
A rotina era medir os níveis da água, fotografar o resultado e enviar a imagem a Celso, que orientava quais produtos deveriam ser aplicados e em qual quantidade.
Água turva e preparo da solução
Na última quinta-feira (5), Severino notou que a água da piscina estava turva e avisou Celso.
Na sexta-feira (6), o manobrista recebeu ordem para aplicar somente cloro na piscina grande. No sábado, porém, a água continuava turva.
Mesmo com os alunos dentro da piscina, Celso solicitou uma nova testagem e a aplicação de seis a oito medidas de um produto com cloro granulado concentrado.
O funcionário relatou que não despejou o produto diretamente na piscina, mas preparou a solução em um balde próximo à borda. Cerca de dez minutos depois, um forte cheiro de cloro tomou conta do ambiente.
Severino descreveu ter visto uma mulher sentada na recepção, amparada pelo marido, e um pai socorrendo o filho adolescente, enquanto ele próprio sentia irritação nos olhos, garganta e dificuldade respiratória. Os professores agiram rapidamente para retirar todos da piscina.
Diante da emergência, a ajuda imediata veio de uma viatura da Guarda Civil Metropolitana que patrulhava a região. Embora a recepcionista da academia tenha solicitado auxílio ao Samu e ao Corpo de Bombeiros, o depoimento aponta que nenhum socorro oficial compareceu. As vítimas buscaram hospitais por conta própria.
Severino removeu o balde com a solução química para a área externa, visando conter a dispersão do gás. A academia foi completamente evacuada e fechada logo depois.
A postura de Celso
O comportamento do proprietário, Celso, foi um dos pontos centrais do relato. Severino afirmou ter tentado contato imediato ao notar o mal-estar coletivo, mas não obteve sucesso.
O retorno só ocorreu horas depois, às 14h11, quando o estabelecimento já estava vazio. Ao ser informado sobre a gravidade da situação e os alunos intoxicados, o dono teria respondido apenas com a palavra “paciência”.
A investigação policial também foca na substituição dos componentes utilizados na manutenção. O manobrista ressaltou que o único produto que aplicou foi um cloro granulado concentrado.
A solução foi adotada recentemente por decisão exclusiva do dono, que alegava estar testando uma nova fórmula. Até então, a academia utilizava um cloro diferente.
Ainda segundo o depoimento de Severino, há cerca de um ano, após um problema anterior na piscina, um especialista ofereceu serviços de manutenção profissional permanente para garantir a segurança da água.
Celso, no entanto, recusou a contratação e decidiu manter a responsabilidade técnica sob o manobrista.
Os donos da academia também são esperados para prestar depoimento à polícia.
Pronunciamento da academia
A unidade da academia C4 GYM foi fechada e interditada pela Vigilância Sanitária e pela Subprefeitura da Vila Prudente. O local não possuía alvará de funcionamento, apresentava instalações elétricas precárias e operava com dois CNPJs registrados ao mesmo endereço.
Em nota publicada nas redes sociais, a rede da academia manifestou profundo pesar sobre o caso e destacou que colabora com as investigações.

