
A Justiça de São Paulo deve decidir em março se Geovanna Proque da Silva, acusada de perseguir, atropelar e matar o namorado e a amiga dele por ciúme, irá a júri pelos crimes.
O caso aconteceu em 28 de dezembro de 2025, em Campo Limpo, na zona sul de São Paulo. As vítimas, identificadas como Raphael Canuto da Silva, 21 anos, e Joyce Correa da Silva, 19, estavam em uma moto quando foram atingidas por trás pelo carro dirigido pela universitária.
Câmeras de monitoramento registraram a ação e as imagens repercutiram nas redes sociais e na imprensa. Geovanna foi presa preventivamente após o caso.
Entenda o caso
Segundo a investigação, o crime teria acontecido porque Geovanna ficou incomodada com a presença de outras mulheres em um churrasco na casa de Raphael. Para espairecer, o jovem teria saído de moto e, no caminho, dado uma carona para Joyce. Eles trabalhavam juntos em um restaurante.
Ainda de acordo com as testemunhas, após enviar mensagens em tom ameaçador, Geovanna teria saído de carro e perseguido a motocicleta de Raphael. Para a polícia, ela atingiu a traseira da moto de forma intencional. As vítimas foram arremessadas a cerca de 30 metros de distância. Um pedestre também ficou ferido na colisão e dois veículos estacionados foram danificados.
A Polícia Civil descartou a hipótese de acidente de trânsito. O boletim de ocorrência destaca que houve "dolo direto de matar" e que a motivação foi fútil, baseada em um ciúme considerado infundado pelos investigadores do 37º Distrito Policial.
Geovanna, que é estudante universitária e namorava Raphael há apenas um mês, fugiu do local a pé, mas foi detida pela Polícia Militar após passar mal em uma rua próxima.
Conforme a PM, Geovanna falou informalmente aos agentes que tomou antidepressivos antes da ocorrência, mas que estava consciente de seus atos. Ela foi levada sob escolta para atendimento médico e, no hospital, contou aos médicos que não se lembrava do que havia acontecido.
Quando foi para a delegacia, contudo, Geovanna permaneceu em silêncio durante o seu interrogatório e indiciamento. A polícia aguarda o resultado dos exames toxicológicos.
Audiência em março
Enquanto segue em prisão preventiva na Penitenciária Feminina de Santana, na zona norte de SP, Geovanna aguarda a audiência de instrução do caso, marcada para o dia 31 de março, no Fórum Criminal da Barra Funda, zona oeste de São Paulo. Esse processo serve para que a Justiça decida se há inícios de que Geovanna cometeu os crimes para ser julgadas por eles.
Atualmente, a estudante responde por duplo homicídio doloso (com intenção de matar) triplamente qualificado por motivo torpe, recurso que dificultou a defesa das vítimas, e meio cruel em relação a Raphael e Joyce, e também por lesão corporal culposa, por machucar um homem que caminhava perto da rua — ele sobreviveu.
Também existem as possibilidades de impronúncia ou absolvição sumária. Caso a juíza Isadora Botti Beraldo Moro, da 5ª Vara do Júri, entenda que há indícios suficientes, ela decidirá pela pronúncia de Geovanna, o que significa que a ré será levada a julgamento pelo Tribunal do Júri. Essa decisão pode ser tomada no mesmo dia ou em data posterior.
Durante a audiência, serão ouvidas, na ordem, as testemunhas de acusação, as de defesa e, por último, Geovanna. Se não for possível concluir as etapas no mesmo dia, novas audiências de instrução poderão ser marcadas.
Segundo a denúncia do Ministério Público (MP), Geovanna teria agido por "ciúme doentio" ao usar o carro para matar Raphael e Joyce.


