
O secretário da Segurança Pública do Rio Grande do Sul afirmou, nesta quarta-feira (14), que as imagens que mostram a abordagem da Brigada Militar (BM) que terminou com a morte de um homem em surto dependem de interpretação. Mário Ikeda disse, em entrevista ao Gaúcha+, da Rádio Gaúcha, que não pode avaliar, neste momento, se a ação dos policiais foi correta ou não.
O caso aconteceu na terça-feira (13), em Santa Maria. A vítima foi identificada como Paulo José Chaves dos Santos, 35 anos, suspeito de violência doméstica. As imagens gravadas a distância mostram o homem se dirigindo em direção à viatura policial, quando um dos agentes deixa o veículo e efetua os disparos.
— Cada caso é um caso e carece de interpretação, embora os critérios e a legislação sejam objetivos. Carece de uma interpretação que, às vezes, cada pessoa tem uma forma e, através da sua experiência, interpreta de uma maneira diferente — disse Ikeda.
Ikeda comparou a situação com a dificuldade de um árbitro de futebol que utiliza o VAR durante um jogo.
— No futebol, ele olha de vários ângulos. Tem câmeras potentes em que pode olhar e tem critérios objetivos, mas que também carece da interpretação. Muitas vezes, no campo de futebol, o jogo para. Fica vários minutos interpretando para poder tomar decisão. O policial não tem esse tempo — disse Ikeda.
O secretário pontuou que o policial avalia uma situação "em frações de segundo e toma as suas decisões".
— Não estou dizendo que foi certo ou errado a ocorrência de ontem (terça, 13). Isso vai ser devidamente apurado em inquérito policial e carece de interpretação — respondeu.
Os dois soldados envolvidos na ocorrência de Santa Maria foram afastados temporariamente do policiamento de rua. Ao menos um dos três tiros atingiu a vítima, que morreu no local.

Protocolos de atuação
Segundo a BM, a equipe que atendeu a ocorrência portava uma arma de choque, conhecida como taser. No entanto, ainda não há explicação sobre o motivo de o equipamento não ter sido utilizado no caso.
Nesta quarta-feira, em entrevista à Rádio Gaúcha, Ikeda afirmou que, durante o uso de armas letais, não existe protocolo para tiros de contenção nas pernas.
— O policial que se sente com a vida em risco pode fazer o uso da arma de fogo. E o uso da arma de fogo é sempre atirando em quem está lhe oferecendo risco. Nós não temos protocolo para atirar nas pernas — disse Ikeda.
Ikeda também mencionou a produção de um protocolo de atendimento para casos de surto. A orientação está sendo feita junto com a Secretaria Estadual da Saúde e vai definir a coleta de informações, a classificação de risco de cada chamada e a forma de atuação conjunta. O documento deve ficar pronto até o final de janeiro.
4,2 mil casos de surto em 2025
Segundo o chefe da SSP, a BM atendeu 4.207 episódios de surto ao longo do último ano. O número representa uma média de quase 12 ocorrências por dia.
Considerando apenas os dados destes primeiros dias de 2026, ainda segundo Ikeda, a média é ainda mais alta, de cerca de 19 casos por dia.



