
— Vou te matar, "véio".
Essa foi uma das ameaças feitas por criminosos a um advogado durante assalto a um escritório de advocacia do bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre, na noite de quarta-feira (14). A vítima, que ainda analisa a situação, relatou à Zero Hora momentos de tensão durante a ação criminosa, que causou um prejuízo estimado em R$ 600 mil, além de traumas psicológicos.
— Ficou um trauma. Todos nós ainda estamos traumatizados (...) Eu nunca vou me esquecer do olhar de um deles (dos assaltantes). Era um olhar frio, um olhar que me atacava — contou o advogado, que, por questões de segurança, não quis se identificar.
O assalto ocorreu por volta das 20h de quinta-feira, em um edifício na Rua Padre Chagas. Segundo a Polícia Civil, uma dupla de assaltantes entrou no prédio após render dois funcionários de estabelecimentos comerciais do local.
Os trabalhadores estavam conversando em frente ao edifício, que já estava com a entrada fechada. Armados, os criminosos teriam ordenado que as vítimas chamassem o porteiro, que, ao reconhecê-las, liberou a entrada e também foi rendido.
Na sequência, seguiram até o escritório Lacerda Advogados Associados, em busca de um cofre. No local, fizeram mais três pessoas reféns. Ao todo, seis vítimas foram amarradas com cadarços de tênis.
— Ele já veio com arma na cabeça, dizendo que era um assalto e perguntando onde estava o ouro. Aí eles pegaram os cadarços de quem estava aqui, amarraram todos e eu fiquei em pé. Deitaram os outros no chão e falavam "cadê o ouro?", "cadê o cofre?", "se tu não me mostrar o cofre, vou te matar" — narrou o advogado, que chegou a levar pancadas de arma na nuca.
Segundo a vítima, os bandidos levaram lingotes de ouro, um relógio Cartier numerado e jóias que pertenciam a clientes do escritório e que estavam guardados em um cofre.
Os bens foram avaliados em R$ 600 mil e, segundo o advogado, possuem certificação. Celulares, relógios e carteiras das vítimas abordadas também foram levados.
Entre ameaças de morte a ele e outros colaboradores do escritório, o advogado conta que acabou por abrir o cofre, procurando manter a integridade física de todos que estavam rendidos.
— A única coisa que vinha à minha cabeça era: eu tenho que manter a calma, porque havia outras pessoas ali. A integridade da pessoa é muito maior do que qualquer bem — disse.
Vítimas sofrem com comentários
Além de passarem por um evento traumático, sendo amarrados, mantidos como reféns e ameaçados, as vítimas vêm sofrendo com comentários e especulações da comunidade, sobretudo nas redes sociais.
— Além do trauma, estamos indignados com comentários sem noção e até levianos sobre como que um escritório de advocacia tem esse valor dentro do cofre. Tem gente que chegou a dizer que era um caixa dois. Há pessoas que não sabem, mas há muitos advogados que guardam bens de clientes. Eram bens legalizados, se não fossem, não estariam comigo — elucida.
O advogado explicou que as joias tinham origem lícita e foram levadas ao escritório na segunda-feira (12), em razão de uma demanda judicial que envolvia avaliação especializada dos bens.
O advogado informou ainda que documentos e comunicações formais que comprovam a regularidade da guarda dos bens foram entregues à polícia para auxiliar nas investigações.
Investigação
O caso é investigado pela 3ª Delegacia de Polícia (3ª DP) da Capital. Imagens de câmeras de segurança do centro comercial e da região estão sendo analisadas, e vítimas e testemunhas começaram a ser ouvidas nesta quinta-feira (15).
Segundo a Brigada Militar, na noite do crime, dois celulares levados na ação e duas placas de veículos foram localizadas em uma lixeira na esquina das ruas São Jorge e Voluntários da Pátria, no bairro Navegantes. No entanto, até o momento, ninguém foi preso.





