
O esconderijo de um porto-alegrense no Rio de Janeiro deu nome à Operação Refugium, deflagrada nesta quinta-feira (22) contra um grupo criminoso envolvido em homicídios na zona norte de Porto Alegre.
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul, com apoio de agentes cariocas, prendeu nesta manhã, no bairro Tanque, no sudoeste do Rio, Jeferson Chiabotto Moreira, 37 anos. Apontado como uma das lideranças de uma facção, foi identificado como responsável por coordenar a distribuição de drogas para território gaúcho. A polícia apura ainda a possível negociação de armas de fogo.
O investigado teve prisão preventiva decretada. Com ele, foram apreendidas duas pistolas, segundo a polícia.
— Era um dos nossos principais alvos — disse o delegado Erick Dutra, da 2ª Delegacia de Homicídios de Porto Alegre, que coordenou a investigação.
Em julho de 2019, Moreira tinha sido preso em Porto Alegre durante apreensão de quatro toneladas de maconha. Seis homens foram presos em flagrante, pela Brigada Militar, em depósito encontrado no bairro Navegantes, na zona norte.
Dois dias depois, no entanto, a Justiça decidiu soltar os presos provisoriamente, após relatarem em audiência de custódia que tinham sido agredidos por policiais militares. Os brigadianos alegaram que os presos se machucaram durante tentativa de fuga.

O Ministério Público recorreu e obteve ordens de prisão preventivas. Mas os presos já tinham sido liberados e passaram a ser considerados foragidos. Em relação a este caso, a Justiça dividiu o processo, e Jeferson passou a responder em separado dos demais.
Ao ser ouvido, ele negou que tivesse envolvimento com o depósito de drogas e com os outros presos. Alegou que foi abordado pelos PMs, enquanto se deslocava para assistir a um jogo de futebol, e que foi preso por já ter antecedentes criminais.
Em janeiro deste ano, ele foi absolvido na Justiça em relação a essa apreensão. O entendimento era de que não havia provas da participação dele.
Agora, Jeferson voltou a ser preso na operação por suspeita de envolvimento com o tráfico de drogas na Capital.
— A gente tem visto, ao longo do tempo, que o Rio de Janeiro tem encampado, de certa forma, refúgio de criminosos. Isso não só do Estado do Rio Grande do Sul, mas de todo o Brasil. De certa forma, tem uma aliança com o Estado do Rio de Janeiro, uma rede de proteção, onde, neste caso, essa liderança coordenava a parte de distribuição de entorpecentes — disse o delegado Thiago Lacerda, diretor da Divisão de Homicídios.
A Operação Refugium
Em janeiro do ano passado, dois homens, um de 20 e outro de 24 anos, foram executados a tiros na Vila Santo André, na zona norte de Porto Alegre. As mortes, segundo a Polícia Civil, aconteceram em meio à disputa por território entre grupos criminosos. Os dois teriam se infiltrado no local, dominado por rivais, e foram descobertos.
A investigação deste caso levou o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) a desencadear nesta quinta-feira (22) uma operação contra a facção envolvida nesta execução.
São 75 mandados judiciais na Capital, sendo 39 de prisão preventiva — destes, 19 alvos já estão no sistema prisional e tiveram novas ordens decretadas — e 36 de busca e apreensão. Até o momento, foram cumpridas 30 prisões, incluindo as 19 contra detentos.
O grupo, segundo a polícia, integra o braço armado de uma facção criminosa — criada no bairro Bom Jesus — que domina a venda de drogas em bairros como Humaitá e Farrapos.
— Esse líder que estava no Rio de Janeiro, além de fazer a distribuição das drogas aqui no Rio Grande do Sul, ter seus contatos, também se suspeita de que ele fizesse a distribuição eventualmente de armas. Esses canais que eles criam, principalmente de armas e drogas. Por isso a prisão do líder em solo carioca foi muito importante para quebrar essa coluna vertebral da facção que estava posicionada no Rio de Janeiro — disse o diretor do DHPP, delegado Mario Souza.
Segundo o delegado Lacerda, entre os alvos da operação, seis são lideranças do crime organizado:
— Dessas, três são lideranças que já estiveram em isolamento, no módulo de segurança, aqui no Estado, pelo envolvimento em homicídios.
Contraponto
A reportagem tenta contato com a defesa de Jeferson. O espaço segue aberto para manifestação.



