
A Polícia Civil de São Paulo investiga a morte do médico Miguel Abdalla Netto, 76 anos, encontrado sem vida dentro de uma casa no bairro Campo Belo, na zona sul da capital paulista, na última sexta-feira (9). Miguel era tio materno de Suzane von Richthofen, condenada pelo assassinato dos pais em 2002.
O corpo foi localizado já em estado de decomposição e o caso é tratado como morte suspeita, mas a principal hipótese, segundo investigadores, é de causa natural.
A confirmação, no entanto, depende do resultado dos exames periciais, de acordo com o g1. Nos últimos dias, o nome de Suzane voltou a aparecer em registros policiais após uma tentativa de liberação do corpo do familiar, que acabou frustrada porque outra parente já havia realizado o procedimento.
Corpo foi encontrado por vizinho
Um vizinho que trabalha em uma empresa ao lado da residência de Miguel Abdalla Netto foi quem localizou o corpo dele. Após dois dias sem ver o médico, ele subiu no muro do imóvel e avisou Miguel caído no quarto. O local foi preservado até a chegada da perícia.
De acordo com o delegado Eduardo Luís Ferreira, titular do 27º Distrito Policial (DP), do Campo Belo, não havia sinais aparentes de violência.
— Temos informações preliminares dos peritos de que a morte foi natural, mas vamos aguardar os resultados dos laudos — afirmou. Os exames são conduzidos pelo Instituto Médico Legal (IML) e pelo Instituto de Criminalística (IC).
Tentativa de liberação do corpo
Suzane von Richthofen compareceu ao 27º DP entre domingo (11) e segunda-feira (12), acompanhada de seu advogado, para tentar obter autorização para a liberação do corpo. Ela se identificou como Suzane Louise Magnani Muniz, nome que passou a usar após se casar, em 2023, com o médico Felipe Zecchini Muniz.
Segundo a polícia, o pedido foi negado porque uma prima do médico já havia feito a liberação no sábado (10). Carmem Silvia Gonzalez Magnani, empresária de 69 anos, compareceu à delegacia, se apresentou como parente mais próxima e retirou o corpo para encaminhamento ao IML Central.
No domingo à noite, um serviço funerário particular levou o corpo para um cemitério, cujo endereço não foi divulgado.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) confirmou que a liberação ocorreu de forma regular e que um segundo pedido, feito posteriormente por outra parente, foi indeferido.
Quem foi Miguel Abdalla Netto?
Ele morava sozinho, não era casado e não deixou filhos. Ganhou projeção pública após os assassinatos de Manfred Albert e Marísia von Richthofen, em 2002, quando passou a ser tutor legal de Andreas von Richthofen, irmão de Suzane, então com 15 anos.
Miguel administrou os bens de Andreas até que ele atingisse a maioridade. Formado em farmácia e bioquímica pela Universidade de São Paulo (USP), Andreas hoje tem 38 anos e não compareceu à delegacia para tratar da liberação do corpo do tio.
Segundo policiais, Miguel Abdalla Netto deixou a residência onde morava, além de outros imóveis e valores aplicados em bancos. Não há, até o momento, informação sobre a existência de testamento. Caso não exista, Suzane e Andreas poderiam futuramente discutir na Justiça eventual direito à herança.
Vale ressaltar que, em 2015, a Justiça de São Paulo excluiu Suzane da herança dos pais. À época, ficou definido que todo o patrimônio da família, estimado em cerca de R$ 10 milhões, ficaria exclusivamente com Andreas.
Delegacia remete ao crime de 2002

O 27º DP, onde Suzane esteve nos últimos dias, é o mesmo distrito policial que registrou, em 2002, as mortes de seus pais, embora a investigação tenha sido conduzida pelo Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Manfred, então com 49 anos, e Marísia, de 50, foram assassinados dentro da casa da família, também no Campo Belo. O crime foi executado por Daniel Cravinhos, então namorado de Suzane, e por Cristian Cravinhos, irmão dele, após ordem da jovem. Os três tentaram simular um latrocínio, mas acabaram confessando.
Suzane, Daniel e Cristian foram condenados em 2006. Ela e Daniel receberam penas de 39 anos de prisão; Cristian foi condenado a 38 anos. Com reduções ao longo do tempo, os três atualmente cumprem pena em regime aberto.
Ela deixou a prisão em 2023 e passou a trabalhar com produção e venda online de acessórios. Daniel Cravinhos está em liberdade desde 2018 e atua na customização de motos. Cristian foi solto em 2025 e trabalha com o irmão.

