
O Ministério Público do Estado solicitou que seja transferida da Justiça militar para a Justiça comum a análise do caso envolvendo a morte do caldeireiro industrial Carlos Eduardo Nunes, 43 anos, após abordagem policial em Guaíba. Ele ficou em coma após sofrer um mata-leão de policiais militares, em junho de 2025, e morreu dois meses depois.
O homem, aparentemente em surto, era suspeito de ter roubado o celular de um colega de trabalho após o expediente e corrido pelas ruas. Dois PMs em atividade e mais dois à paisana imobilizaram Carlos Eduardo Nunes e teriam aplicado o golpe.
As investigações das corregedorias da Brigada Militar e da Polícia Civil não apontaram responsabilidade dos quatro policiais militares (leia mais abaixo).
O caso foi remetido ao Ministério Público, que ainda não apresentou as suas conclusões. Segundo o órgão, no dia 14 de janeiro a promotora que atua junto à Justiça Militar solicitou declinação de competência para a Justiça comum por se tratar de um possível crime doloso contra a vida de um civil. Neste contexto, pediu a remessa do inquérito à vara do Tribunal do Júri da comarca de Guaíba.
O pedido está em análise pela juíza de primeiro grau da 1ª Auditoria do Tribunal de Justiça Militar, Karina Dibi Kruel do Nascimento. Caso seja acolhido, um novo promotor ficará responsável por analisar o tema e oferecer ou não a denúncia.

Relembre o caso
O caldeireiro industrial Carlos Eduardo Nunes foi contido por policiais do 31º Batalhão de Polícia Militar e sofreu uma parada cardiorrespiratória após receber um disparo de taser — arma de eletrochoque para incapacitação temporária — e um golpe “mata-leão”. Ele ficou desacordado e foi levado em uma viatura para atendimento médico. Segundo a família, Nunes permaneceu 50 dias na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), em coma. Depois, foi transferido para um quarto, onde seguiu sem responder a estímulos. Ele morreu em 1º de setembro.
A Corregedoria da Brigada Militar concluiu o trabalho no dia 4 de agosto. O relatório foi encaminhado ao Tribunal de Justiça Militar, sem indicar relação entre a imobilização e a atual condição clínica de Nunes. Segundo o corregedor-geral, as conclusões da investigação foram baseadas no boletim de atendimento da ocorrência e em exame pericial do Departamento Médico Legal. Não houve análise de sangue, conforme o oficial.
A Polícia Civil concluiu em 8 de agosto a sua investigação do caso e também não apontou relação entre a imobilização policial e a parada cardiorrespiratória. Segundo a delegada de Guaíba, Karoline Calegari, os policiais militares que efetuaram a abordagem "agiram em estrito cumprimento do dever legal".



