Em janeiro do ano passado, dois homens, um de 20 e outro de 24 anos, foram executados a tiros na Vila Santo André, na zona norte de Porto Alegre. As mortes, segundo a Polícia Civil, aconteceram em meio à disputa por território entre grupos criminosos. Os dois teriam se infiltrado no local, dominado por rivais, e foram descobertos.
A investigação deste caso levou o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) a desencadear nesta quinta-feira (22) uma operação contra a facção envolvida nesta execução. São 75 mandados judiciais na Capital, sendo 39 de prisão preventiva — destes, 19 alvos já estão no sistema prisional e tiveram novas ordens decretadas — e 36 de busca e apreensão. Até o momento, foram cumpridas 28 prisões, incluindo as 19 contra detentos.
Entre os alvos, está um criminoso do Rio Grande do Sul que estava escondido no Rio de Janeiro. Ele foi preso com duas pistolas. A polícia também realiza buscas na capital carioca.
O grupo, segundo a polícia, integra o braço armado de uma facção criminosa — criada no bairro Bom Jesus — que domina a venda de drogas em bairros como Humaitá e Farrapos. Entre os alvos dos mandados, estão criminosos envolvidos em diferentes escalões da hierarquia da facção, desde lideranças, gerentes e financiadores, até olheiros e soldados do tráfico. O grupo é investigado em pelo menos outros seis inquéritos de homicídios na Capital.
A Operação Refugium, coordenada pela 2ª Delegacia de Homicídios de Porto Alegre, é realizada em conjunto com a Brigada Militar. Segundo o delegado Eric Dutra, os dois homens mortos em 9 de janeiro eram moradores da Vila Cruzeiro e estavam no interior da comunidade na zona norte quando foram reconhecidos como rivais do grupo que atua no local. Criminosos armados executaram as vítimas com diversos disparos de arma de fogo.
— Havia no local várias pessoas que tiveram as suas vidas expostas a risco — detalhou o delegado.
Logo depois, três suspeitos foram presos em flagrante pelo homicídio. Segundo a polícia, a operação busca responsabilizar os envolvidos e coletar mais provas, além de apreender armas de fogo, usadas em crimes como este.
— Após um ano de investigação aprofundada, os policiais conseguiram mais de 70 mandados contra esse grupo criminoso aqui e no Rio de Janeiro. Estão executando mais uma medida do nosso protocolo contra os homicídios aqui em Porto Alegre — disse o diretor do DHPP, delegado Mario Souza.



