
Um empresário foi indiciado por lesão corporal e incêndio doloso em caso envolvendo uma ex-companheira e ex-funcionária. Conforme a titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher da Capital, Thaís Dias Dequech, o inquérito foi concluído e remetido à Justiça, e o homem ainda segue investigado pelo crime de violência psicológica.
Em um vídeo publicado no Instagram na terça-feira (6) da semana passada, a gerente de operações Renatha Garcia, 34 anos, afirma ter vivenciado um relacionamento marcado por ameaças e violência que teriam culminado com o carro dela incendiado, em 25 de outubro do ano passado, em Porto Alegre (relembre o caso mais abaixo).
— Aguardamos a vítima fazer perícia psíquica. Diante do vídeo que está circulando, podemos incluir a prática do crime de violência psicológica em razão do evidente dano emocional — detalha a delegada Thaís.
Renatha não cita o nome do suspeito na publicação, e a polícia não informa a identidade dele, mas Zero Hora apurou que o indiciado é Juliano Pitombo, 46 anos. Procurada, a advogada Joyce Kieling, que representa o empresário, afirmou, antes do indiciamento:
— Mantemos total confiança de que a apuração técnica e imparcial demonstrará, em juízo, a realidade dos fatos.
A reportagem tenta novo contato com a defesa de Pitombo a respeito da conclusão do inquérito. O espaço permanece aberto para manifestação.
Pitombo, 46 anos, atua no ramo de bares e restaurantes. A prisão preventiva do suspeito foi solicitada duas vezes pela delegada, mas foi indeferida pelo Judiciário. A reportagem contatou o Tribunal de Justiça, que disse que não irá se manifestar porque o caso está em segredo de Justiça.
Carro incendiado
Na madrugada de 25 de outubro de 2025, câmeras de videomonitoramento captaram imagens que, de acordo com a delegada responsável pela investigação, identificam Pitombo colocando gasolina no veículo de Renatha, um Ford Ka vermelho, na Rua João Alfredo, bairro Cidade Baixa, e fugindo (veja as imagens acima). A ocorrência registrada pela Brigada Militar contém o relato de uma testemunha que disse ter visto a cena e a fuga em uma Ecosport preta.
Renatha registrou boletim na Polícia Civil de incêndio culposo. Na delegacia, com hematomas no rosto, foi aconselhada a denunciar também a agressão que teria sofrido durante a semana.
— Fiz exame de corpo de delito onde mostrei meus hematomas. Estou com medida protetiva, mas tenho medo que aconteça algo pior — desabafou à época.
Na ocasião, ainda sem se identificar, Renatha contou a Zero Hora que ao longo daquela semana ela e o ex-companheiro haviam tido desentendimentos que teriam resultado em agressões físicas, como tapas no rosto, empurrões, rasteira e chutes. Disse ainda que temia pela própria segurança e acreditava que a ação havia sido premeditada.
Violência contra a mulher
Relato em rede social
Na terça-feira passada (6), Renatha postou um vídeo no Instagram em que detalha esses episódios, mostra prints e divulga áudios do ex-companheiro.
Até a manhã desta terça (13), cerca de 25,2 mil pessoas haviam reagido ao post. Comentários expressavam solidariedade e revolta diante do caso.
Foi um ato de coragem. Me sinto aliviada por expor e vir a público, pois o silêncio estava me adoecendo, mas ainda estou insegura. É também exaustivo. Quase três meses depois, ele segue levando a vida, dizendo que o maior lesado é ele e ainda segue solto.
RENATHA GARCIA
Gerente de operações, 34 anos
Onde pedir ajuda em casos de violência contra a mulher
Brigada Militar – 190
- Se a violência estiver acontecendo, a vítima ou qualquer outra pessoa deve ligar imediatamente para o 190. O atendimento é 24 horas em todo o Estado.
Polícia Civil
- Se a violência já aconteceu, a vítima deverá ir, preferencialmente à Delegacia da Mulher, onde houver, ou a qualquer Delegacia de Polícia para fazer o boletim de ocorrência e solicitar as medidas protetivas
- Em Porto Alegre, há duas Delegacias da Mulher. Uma fica na Rua Professor Freitas e Castro, junto ao Palácio da Polícia, no bairro Azenha. Os telefones são (51) 3288-2173 ou 3288-2327 ou 3288-2172 ou 197 (emergências)
- A outra fica entre as zonas Leste e Norte, na Rua Tenente Ary Tarrago, 685, no Morro Santana. A repartição conta com uma equipe de sete policiais e funciona de segunda a sexta, das 8h30min ao meio-dia e das 13h30min às 18h
- As ocorrências também podem ser registradas em outras delegacias. Há DPs especializadas no Estado. Confira a lista neste link
Delegacia Online
- É possível registrar o crime pela Delegacia Online, sem ter que ir até a delegacia, e também solicitar medida protetivas de urgência.
Central de Atendimento à Mulher 24 Horas – Disque 180
- Recebe denúncias ou relatos de violência contra a mulher, reclamações sobre os serviços de rede, orienta sobre direitos e acerca dos locais onde a vítima pode receber atendimento. A denúncia será investigada e a vítima receberá atendimento necessário, inclusive medidas protetivas, se for o caso. A denúncia pode ser anônima. A Central funciona diariamente, 24 horas, e pode ser acionada de qualquer lugar do Brasil.
Ministério Público
- O Ministério Público do Rio Grande do Sul atende em qualquer uma de suas Promotorias de Justiça pelo Interior, com telefones que podem ser encontrados no site da instituição.
- Neste espaço é possível acessar o atendimento virtual, fazer denúncias e outros tantos procedimentos de atendimento à vítima. Acesse o site.
Defensoria Pública – Disque 0800-644-5556
- Para orientação quanto aos seus direitos e deveres, a vítima poderá procurar a Defensoria Pública, na sua cidade ou, se for o caso, consultar advogado(a).
Centros de Referência de Atendimento à Mulher
- Espaços de acolhimento/atendimento psicológico e social, orientação e encaminhamento jurídico à mulher em situação de violência.
Como solicitar a medida protetiva online
- A vítima deve acessar o site da Delegacia de Polícia Online da Mulher, registrar a ocorrência pela internet e preencher um formulário de avaliação de risco;
- A mulher pode solicitar medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da Penha – como afastamento do agressor da residência, proibição de aproximação, restrição de porte de arma, entre outras;
- Um filtro de urgência será aplicado ao caso, que será direcionado aos plantões policiais do Estado;
- A ocorrência e o pedido de medidas protetivas são encaminhados em até 48 horas ao Poder Judiciário, que deve decidir em até outras 48 horas;
- A vítima receberá confirmação do protocolo, explicação do fluxo e orientação para procurar um local seguro enquanto aguarda a decisão;
- No caso de concessão da medida, um oficial de Justiça intima o agressor;
- A Polícia Civil e a Brigada Militar são informadas e passam a fazer monitoramento a distância, aguardando informações do Poder Judiciário ou da própria vítima e familiares em relação ao descumprimento da medida. Também há o monitoramento eletrônico com tornozeleiras – hoje há cerca de 300 agressores monitorados no RS;
- Se o agressor desobedecer a medida (por exemplo, se aproximar da vítima), pode vir a ser preso em flagrante.










