
Um mês após pais suspeitarem de que crianças pudessem ter sido dopadas e sofrido maus-tratos em uma escola particular em Alvorada, na Região Metropolitana, o caso segue sob investigação da Polícia Civil, que, neste momento, aguarda tanto o resultado das perícias nas crianças, para identificar possíveis casos de maus-tratos, quanto dos exames de toxicologia, que podem indicar uso de algum medicamento para sedar os alunos.
A Escola de Educação Infantil Rafa Kids, instituição particular de ensino, localizada no bairro Maringá, foi interditada em 16 de dezembro pela prefeitura de Alvorada. A instituição de ensino segue fechada desde então. A defesa do estabelecimento nega que os crimes tenham sido cometidos (veja nota na íntegra abaixo).
Segundo a delegada Carolina Terres, responsável pela investigação, análises do Instituto-Geral de Perícias (IGP) ainda devem ajudar a descobrir, caso seja confirmado o uso de medicamento, o que teria sido administrado. A suspeita é de que pode ter sido algum tipo de sedativo, como clonazepam, ou risperidona, por exemplo, um antipsicótico que pode causar sonolência.
Os pais afirmam suspeitar do uso de melatonina, um hormônio produzido naturalmente pelo corpo, para regular o ciclo de sono, mas que, ao ser administrado em crianças, e sem prescrição, pode causar efeitos colaterais.
Em 22 de dezembro, a Polícia Civil realizou buscas relacionadas ao caso, tanto na sede da escola quanto na casa da proprietária e na residência de uma professora. Nenhum medicamento desse tipo foi apreendido. Foram localizados um notebook e dois celulares, sendo um de uso da proprietária da instituição. A polícia aguarda ainda o resultado da análise desses aparelhos.
O caso passou a ser investigado em 12 de dezembro, quando pais procuraram a Polícia Civil e registraram ocorrências contra a escola. Eles relataram ter obtido prints de conversas trocadas entre funcionárias da escola num grupo de WhatsApp sobre a administração de substâncias para acalmar as crianças.
Depois disso, o Conselho Tutelar oficiou a prefeitura de Alvorada, solicitando o fechamento preventivo da escola até a apuração dos fatos. A Vigilância Sanitária esteve no prédio em 16 de dezembro, realizou notificação e interdição do estabelecimento.
Entre os responsáveis que buscaram a polícia, está Victória Camargo, 26 anos. Mãe de um menino de quatro anos, ela transferiu o filho para outra escola infantil após saber dos episódios, mas segue acompanhando os desdobramentos do caso.
— É uma revolta bem grande minha e das outras mães. Estamos ansiosas para finalizar o caso e para que a justiça seja feita — diz Victória.
Suspeita de uso irregular de medicamentos
Nas conversas obtidas pelos pais é possível ver um grupo, com o nome "Rafa Kids". Em uma das trocas de mensagens, há a foto de um menino deitado, com os olhos abertos. A mãe do garoto registrou ocorrência relatando a suspeita de que o filho tenha sido dopado.
A mensagem com a foto do garoto teria sido enviada por uma das professoras do maternal. Logo abaixo, está a mensagem "dei umas gotinhas do (cita o nome de outra criança)". Há uma série de outras mensagens, nas quais as integrantes fazem referência à administração de "gotinhas".
Numa delas, um menino aparece em pé sobre uma mesinha e abaixo está a mensagem "acho que as gotinhas não fizeram efeito". A suspeita dos pais é de que estivesse sendo usado algum tipo de medicamento, de outras crianças, para acalmar as demais.
Contraponto
Zero Hora entrou em contato com a defesa dos responsáveis pela Escola de Educação Infantil Rafa Kids. Na manifestação, a defesa sustenta que os fatos investigados não aconteceram e que a escola nega a prática de qualquer conduta irregular.
Confira a nota na íntegra:
"Em atenção ao contato da reportagem e considerando o transcurso de aproximadamente um mês desde os primeiros noticiários, a defesa entende pertinente o encaminhamento da presente manifestação, em caráter exclusivamente informativo e de atualização.
A investigação segue em curso, sem conclusão até o momento, e a defesa ainda não teve acesso a laudos periciais ou relatórios técnicos definitivos por parte das autoridades competentes.
A Escola de Educação Infantil Rafa Kids mantém-se absolutamente firme em sua posição defensiva, reiterando que os fatos noticiados e ora investigados não correspondem à realidade.
A instituição nega, de forma categórica, a prática de qualquer conduta irregular, reafirmando seu compromisso com o cumprimento rigoroso das normas legais, sanitárias e pedagógicas aplicáveis à educação infantil.
A escola permanece colaborando integralmente com as autoridades responsáveis, colocando-se à disposição para todos os esclarecimentos necessários, com a confiança de que a apuração técnica e isenta dos fatos demonstrará a inexistência das irregularidades alegadas.
Permanecemos à disposição para eventuais esclarecimentos adicionais.
Atenciosamente,
Dr. Eder Macari Land
Advogado – OAB/RS nº 123.326
Land Assessoria Jurídica".





