
A Polícia Civil informou nesta sexta-feira (23) que Henay Rosa Gonçalves Amorim, 31 anos, foi morta por asfixia pelo namorado dentro do apartamento onde o casal morava, em Belo Horizonte. Segundo a investigação, ele teria provocado um acidente em Itaúna, no Centro-Oeste de Minas, para tentar encobrir o homicídio.
Durante entrevista coletiva realizada em Divinópolis, o delegado Flávio Destro, responsável pela investigação, afirmou que imagens de câmeras de segurança mostram Alison de Araújo Mesquita, 43 anos, colocando o corpo da vítima, enrolado em um colchão, no banco do motorista do veículo.
Segundo Destro, foi possível identificar que Alison arrastou o corpo de Henay ainda no apartamento do casal até o veículo. Flávio disse que Alison "sabia o que fazia, era síndico do prédio e tinha total controle sobre as câmeras de segurança".
Foi descoberta uma câmera interna no apartamento. O delegado contou que Alison tentou ocultar imagens, mas "conseguimos registros que mostram momentos em que ele agrediu Henay".
Ainda na coletiva, o delegado informou que Alison de Araújo foi indiciado pelo crime de feminicídio.
Em seguida, o empresário retornou ao apartamento, deixou o colchão no local e voltou ao carro, entrando pelo banco do passageiro. Para dirigir, usou um dos pés no acelerador enquanto manobrava o volante com as mãos.
Flávio disse que, logo após o crime, o investigado fez pesquisas na internet sobre acidentes de veículo: "ele baixou arquivos de jurisprudência de casos semelhantes e também estudou medicina legal, principalmente fenômenos imediatos da morte relacionados à asfixia."
Os arquivos foram recuperados. De acordo com o delegado, as imagens mostram que "ele tinha a intenção de matar Henay e buscava informações técnicas e jurídicas para se defender".
Ao chegar à altura de Itaúna, a aproximadamente 79,1 quilômetros de Belo Horizonte, Alison teria provocado o acidente com o objetivo de ocultar o feminicídio da companheira. A morte da personal shopper e o registro da ocorrência datam de 14 de dezembro do ano passado.
Relembre o caso
Inicialmente, o caso foi registrado como um acidente de trânsito, tendo em vista que ela e o companheiro trafegavam pela rodovia quando o carro deles colidiu com um micro-ônibus em uma curva.
No entanto, imagens divulgadas pela concessionária que administra a rodovia levantaram dúvidas sobre a dinâmica dos fatos: nos registros, feitos minutos antes da colisão, em um pedágio, a mulher aparece aparentemente inconsciente e sentada no banco do motorista (veja o vídeo abaixo).
Diante das inconsistências, a Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar o caso, que passou a ser investigado como feminicídio. Após o inicio das investigações, Alison confessou à polícia que matou a namorada.
Segundo a Policia Civil, o relacionamento era marcado por conflitos e momentos de tensão.




