
A Brigada Militar identificou e afastou oito policiais que participaram de uma abordagem que resultou na morte de um homem na noite da última sexta-feira (19) em Uruguaiana, na Fronteira Oeste. Segundo a corporação, Guilherme Moisés de Oliveira de Jesus, 26 anos, teria sofrido um mal súbito durante a ação realizada dentro da casa onde ele residia, no bairro Cabo Luiz Quevedo. A versão é contestada pela família, que alega que a residência foi invadida e que Guilherme sofreu violência.
De acordo com a Brigada Militar, Guilherme foi abordado na rua por atitude suspeita. A corporação afirma que o homem portava na cintura "objeto com características semelhantes às de uma arma de fogo" e desobedeceu a uma ordem de parada. O homem teria fugido e entrado na casa onde reside com a mãe, que não estava no local. Ao ser imobilizado, Guilherme teria, então, sofrido um mal súbito, conforme a versão da polícia. Ele foi encaminhado ao Hospital Santa Casa de Uruguaiana, onde foi constatada a morte.
Após o fato, um inquérito policial militar foi instaurado. Os policiais afastados integram o 6º Batalhão de Polícia de Choque de Uruguaiana.
A mãe de Guilherme, Sandra Helena Oliveira de Jesus, 48 anos, contesta a versão de fuga por parte do filho. Segundo ela, o filho permanecia a maior parte do tempo em casa.
— Na noite do ocorrido, uma pessoa me ligou e me falou: "Sandra, invadiram a tua casa" — afirma.
Vizinhos dizem que dois policiais pularam as grades que cercam a casa e seis agentes permaneceram do lado de fora.
— Quando eu entrei, a porta estava aberta e eu vi a destruição lá dentro. Eu fiquei mais desesperada porque, quando eu vi aquilo ali, eu vi que eles bateram no meu filho — diz Sandra Helena.
O celular e documentos de Guilherme sumiram, segundo a mãe. Hematomas no corpo dele chamaram a atenção de familiares durante o velório. O atestado de óbito registra o tipo de morte como "violenta" e a causa "indeterminada, no aguardo de exames".
A Brigada Militar afirma que apreendeu cocaína, munição e um revólver na casa. A família nega que os itens pertencessem a Guilherme.
— O Guilherme usou droga uns cinco anos atrás, mas ele não usava mais — diz a mãe.
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deu início à tomada de depoimentos para apurar o caso. A mãe de Guilherme foi ouvida na manhã desta segunda-feira (19). Segundo o delegado Vinicius Seolin, outras testemunhas — entre elas vizinhos da casa onde a ação aconteceu — também já foram ouvidas.
— A gente percebe que tem várias narrativas. Os policiais alegam uma resistência. Ainda é cedo para afirmar exatamente como os fatos ocorreram, as perícias foram solicitadas e elas vão esclarecer a dinâmica desses fatos — diz o delegado Vinicius Seolin, titular da 1ª Delegacia de Polícia de Uruguaiana e responsável pelo caso.
O que diz a Brigada Militar
Na noite de sexta-feira (16/01), a Brigada Militar, por meio do 6º Batalhão de Polícia de Choque, durante patrulhamento tático motorizado no município de Uruguaiana, visualizou um indivíduo em atitude suspeita que, ao perceber a presença policial, empreendeu fuga em direção ao interior de uma residência, portando na cintura objeto com características semelhantes às de uma arma de fogo, desobedecendo às ordens legais de parada emanadas pela guarnição.
Durante a abordagem policial, o indivíduo ofereceu resistência ativa, não acatou as ordens verbais e investiu fisicamente contra os policiais militares, sendo necessário o emprego do uso seletivo da força, nos termos da legislação vigente e dos protocolos operacionais, para a sua contenção.
Após a contenção física e algemação, o indivíduo apresentou mal súbito, vindo a perder a consciência. De imediato, a guarnição prestou atendimento pré-hospitalar, realizando manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RCP), e procedeu o encaminhamento ao Pronto Socorro. Após o referido atendimento médico, foi constatado o óbito.
Na ação, foram apreendidas uma arma de fogo, três munições do mesmo calibre e uma porção de substância com características análogas à cocaína. O indivíduo possuía antecedentes criminais.
Diante dos fatos, foi instaurado o procedimento investigatório pela Brigada Militar para a apuração dos fatos, assim como a ocorrência encaminhada à autoridade competente para adoção das providências legais pertinentes.




