
A morte de Cássio Fagundes Laguna, 30 anos, deixou em luto familiares, amigos e colegas de trabalho. O guarda municipal morreu na quarta-feira (21), durante a abordagem de um homem no bairro Maria Regina, em Alvorada, na Região Metropolitana.
Fagundes, como se identificava no trabalho, atuava na Ronda Ostensiva Municipal (Romu), que integra a Guarda Civil Municipal (GCM) da cidade. Nesta quinta-feira (22), ocorreu o velório do servidor no Cemitério São Jerônimo, em Alvorada.
Saulo Binelo Fridman, 38 anos, estava na guarnição que atendeu a ocorrência. Por volta das 14h30min, ele, Fagundes e o colega Adriano Osório Jardim faziam patrulhamento de rotina quando foram informados por moradores que havia um homem armado na região.
Após buscas, o suspeito foi avistado, mas fugiu ao notar a presença da guarnição.
— Demos ordem para o indivíduo se entregar, mas ele não se rendeu. Atirou e nós respondemos à agressão. Foi tudo muito rápido. Socorremos e levamos nosso colega, fizemos o máximo ao lado dele até o hospital — resume.
Baleado na ocorrência, Fagundes morreu durante atendimento médico no hospital de Alvorada. O homem alvo da abordagem foi também atingido e faleceu.

Fridman conta que a convivência diária na Romu fez os dois se tornarem amigos.
— Fomos nomeados e tomamos posse juntos. Fizemos também o curso de formação. Ele esteve comigo desde o início da minha história na Ronda. Era o meu irmão. O Fagundes era um cara rigoroso com o horário, sempre ativo. Amava a família e o trabalho dele. Ele era um cara diferenciado — acrescenta Fridman.
"Um cara de confiança"
Fabiano Horácio, 32 anos, também esteve no velório do guarda municipal, de quem era amigo há mais de uma década. Os dois se conheciam dos jogos de futebol em Alvorada.
O eletricista conta ter visto Fagundes pela última vez há duas semanas, ao ver o guarda participando de uma abordagem.
— É daqueles amigos que a gente diz que pode entregar o cartão e a senha, que sabemos que vai cuidar, sem trapacear em nada. Esse era o jeito dele: um cara de confiança — resumiu.

Fabiano conta ter descoberto a morte do amigo ao ler uma postagem no Instagram.
— Rezei para que fosse um erro, que tivessem colocado errado o nome dele. Mas não era. É difícil de aceitar ainda — finalizou.
Cássio estava há um ano e um mês na Guarda Civil Municipal de Alvorada. Morador da cidade, ele deixou a esposa e uma filha de três anos.
Investigação

A Polícia Civil identificou como Iago Henrique Soares da Silva, 29 anos, o homem que morreu na troca de tiros com a guarnição da Romu em Alvorada. Quando adolescente, ele se envolveu em ocorrências de tráfico de drogas e lesão corporal. Uma pistola com numeração raspada foi encontrada com indivíduo, que morreu durante atendimento médico.
— Vamos aguardar os exames de necropsia para saber a causa da morte de cada um, quantos disparos atingiram o guarda municipal e quantos atingiram o criminoso. Também servirá para esclarecer a dinâmica dos fatos, dos disparos, da posição dos atiradores — diz o delegado Ericson Mota, que investiga o caso.

