
Para transformar a memória em ação concreta de prevenção, 13 anos após o incêndio da boate Kiss, será lançado o Alerta Kiss. O projeto é do coletivo Kiss: Que Não se Repita. O grupo criado em dezembro de 2013, e desde novembro de 2025 juridicamente constituído, é formado por amigos de vítimas e sobreviventes da tragédia.
O lançamento oficial será no dia 27 de janeiro, data em que o incêndio, que matou 242 pessoas e deixou outras 636 feridas em Santa Maria, completa 13 anos.
O principal eixo será a criação de um canal de denúncias. A iniciativa é uma resposta ao grande volume de mensagens, principalmente nas redes sociais, que incluem alertas e denúncias de possíveis irregularidades em casas noturnas, salões de festas e clubes. Há anos, fotos, vídeos e até pedidos de orientação de pessoas de todo o país têm sido enviados ao coletivo.
Conforme o presidente da entidade, o designer gráfico André Polga, 32 anos, o objetivo é dar vazão e orientação a essa demanda de forma mais organizada e institucional e, sobretudo, evitar novas tragédias.
— As pessoas nos procuram porque confiam no nosso trabalho. Se hoje usamos nossa voz e nossa história é porque aprendemos da forma mais dura possível o que acontece quando os alertas são ignorados — destaca Polga.
Por meio do site, qualquer usuário poderá acessar um formulário de denúncia, de forma anônima, para relatar irregularidades relacionadas a superlotação, saídas de emergência, alvarás, materiais inflamáveis, extintores, sinalização e outras falhas de segurança. Cada denúncia vai gerar um número de protocolo, permitindo que o denunciante acompanhe o que foi feito a partir do apontamento.
As denúncias recebidas serão analisadas e filtradas pela equipe do coletivo, antes de serem encaminhadas aos órgãos competentes. Uma parceria institucional com o Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul está sendo negociada.
Período de teste
Nesta primeira etapa, o Alerta Kiss receberá denúncias em âmbito estadual em um período de teste de 60 dias. O objetivo é compreender o volume e o fluxo da demanda. Após essa fase, será avaliada a possibilidade de ampliação do projeto para nível nacional.
O site também contará com uma página de transparência, onde serão disponibilizados dados consolidados sobre o número de denúncias recebidas, a fim de reforçar o compromisso com a informação pública.
— Queremos deixar claro que os atingidos pelo incêndio na Kiss não estão movidos por vingança, como muitas vezes tentaram rotular. Nosso trabalho é social, preventivo e educativo. A memória, para nós, não é punição, é uma forma que encontramos para trabalhar a proteção à vida — pontua André Polga.



