
O homem acusado de matar a ex-companheira grávida com 19 facadas, em Parobé, no Vale do Paranhana, será julgado pelo Tribunal do Júri.
O crime ocorreu em 18 de abril, no bairro Morada do Funil, em Parobé. A vítima, Caroline Machado Dorneles, tinha 25 anos e estava grávida de três meses quando foi morta a facadas.
A decisão que acolheu a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) determinou que o réu vá para julgamento por feminicídio qualificado, com emprego de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e durante a gestação.
Na decisão o juiz destacou que há provas suficientes do crime e indícios de autoria, razão pela qual a competência para o julgamento foi atribuída ao Tribunal do Júri. O magistrado também ressaltou as circunstâncias do crime, apontando que a dinâmica dos fatos indica o emprego de meio cruel e de recurso que dificultou a defesa da vítima, além do contexto de violência de gênero.
A denúncia, assinada pelo promotor de Justiça Rafael Wobeto Pinter, sustenta que o homicídio foi praticado em razão da condição do sexo feminino, caracterizando feminicídio, e agravado pelo fato de a vítima estar gestante. Conforme o Ministério Público, o ataque teria sido repentino, o que impediu qualquer reação de defesa.
A decisão também rejeitou o pedido da defesa para afastar a fixação de pensão em favor da filha da vítima. O Ministério Público solicitou o estabelecimento de um valor mínimo para reparação dos danos causados aos familiares, estipulado em R$ 200 mil, além do pagamento de pensão à criança.
Segundo o juiz, a vítima deixou uma filha menor de idade, privada do convívio e do sustento materno. O magistrado ressaltou ainda que a gravidez no momento do crime agrava os danos causados à família.
Ainda não há data definida para o julgamento. Cabe recurso da decisão.
Relembre o caso
Caroline Machado Dorneles foi encontrada morta com múltiplos ferimentos de faca, na madrugada de 18 de abril de 2025. O acusado pelo crime é o ex-companheiro da vítima, Carlos Daniel de Oliveira, de 24 anos.
Após o ataque, o homem fugiu do local, mas se apresentou à polícia no dia seguinte. Ele possui antecedentes por tráfico de drogas e permanece preso desde então. A investigação apontou que o crime ocorreu após o término do relacionamento.
Contraponto
A reportagem busca contato com a defesa de Carlos Daniel de Oliveira. O espaço segue aberto para manifestações.


