
Um equipamento usado para ampliar o sinal de internet via satélite foi encontrado dentro de uma cela do sistema prisional gaúcho nesta sexta-feira (5). O aparelho foi localizado durante uma operação da Polícia Civil contra a lavagem de dinheiro oriundo do tráfico nos Vales do Sinos e do Paranhana.
Conforme o delegado Max Otto Ritter, diretor da Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), o equipamento apreendido foi um repetidor de Starlink. O aparelho amplia o alcance do sinal Wi-Fi, levando a internet para áreas mais distantes. O nome da casa prisional não foi divulgado pela corporação.
A Operação Dívida Ativa 2 cumpriu mandados em Sapucaia do Sul, São Leopoldo, Taquara, Novo Hamburgo, Campo Bom, Portão, São Sebastião do Caí e Montenegro. No total, 16 pessoas foram presas.
Foram interditados 16 estabelecimentos suspeitos de lavar o dinheiro obtido por um grupo criminoso especializado no tráfico de drogas, homicídios e extorsões. A investigação identificou que as empresas atuavam na venda de joias e roupas femininas, além da prestação de serviços, em sua maioria voltada para o público feminino.
A Polícia Civil ainda solicitou o bloqueio de contas bancárias no valor de cerca de R$ 6,2 milhões. Também houve a apreensão de três carros de luxo e de R$ 150 mil em espécie, sendo que em uma residência foram encontrados R$ 103 mil.
Zero Hora apurou que a organização é liderada por Diogo Henrique Martins. Ele havia sido preso em São Paulo em janeiro de 2024 e cumpre neste momento, pena na Penitenciária Modulada Estadual de Montenegro, no Vale do Caí. A partir da prisão, a polícia descobriu que Martins comandava todo o fluxo de operações da organização de dentro da cadeia.
Entre os presos também está uma advogada. Segundo a investigação, ela era responsável por fazer a defesa de diversos membros da organização criminosa, mas também atuava diretamente com o grupo.
A Polícia Civil não divulgou o nome dela, mas a reportagem apurou que se trata de Ritiele Rocha. Procurada, a defensora dela, Cristiane Epple, declarou que a cliente "alega inocência e provará, no curso da instrução processual, jamais ter cometido qualquer conduta ilícita".


