
Em coletiva realizada nesta quinta-feira (11), a Polícia Civil deu detalhes da investigação sobre a mulher encontrada morta em uma lixeira na Rua Edu Chaves, no bairro São João, na zona norte de Porto Alegre.
Conforme a polícia, a vítima, identificada como Juliana da Silva Dias, 44 anos, foi agredida e a princípio asfixiada por dois indivíduos que estão presos. Ela era namorada de um deles. Ele teria se prevalecido da condição para atrair a mulher até o casebre onde residiam e a matou.
A motivação do crime foi uma dívida de R$ 2 mil. O suspeito chefiaria um ponto de venda de drogas na região.
— Ele não enxergou a companheira, enxergou uma usuária que estava devendo. Por esse valor muito baixo ele decidiu assassinar a companheira — diz Souza.
— Tratava-se, no início, de um crime com muitos indícios de ação do tráfico de drogas. Essa vítima teria ficado devendo em um ponto de tráfico e foi morta por dívida. Entretanto, com o andar da investigação, foi detectada a questão da violência doméstica. Nós temos um feminicídio dentro de um contexto de tráfico de drogas — explicou o diretor do Departamento de Homicídios, o delegado Mário Souza.
Os suspeitos devem ser indiciados por feminicídio.
Imagens de câmeras de segurança flagraram parte da ação de dois homens. Enquanto um carrega a lixeira com o corpo dentro, o outro, em uma bicicleta, faz o acompanhamento. A polícia agora tenta identificar se houve uma liderança do tráfico de drogas responsável por autorizar o crime.
Uma testemunha que reside nas proximidades do local relatou ter ouvido as agressões e o pedido de socorro da mulher. Ele teria deixado o lugar e quando retornou Juliana não estava mais, apenas um dos suspeitos.
— Com esse depoimento, a gente efetuou a prisão ali mesmo, no viaduto, e iniciamos a busca pelo outro, que foi encontrado no entorno — explica o delegado Eric Dutra.
A polícia segue investigando a participação de outras pessoas. O principal foco é identificar se o crime teve o aval de algum líder de facção.
— É um feminicídio, mas também um cenário de crime organizado. Havia uma dívida, e por causa disso, os criminosos decidiram matar a vítima. Então é óbvio que uma liderança de facção pode ter determinado isso — complementa o diretor.
Relacionamento entre vítima e assassino alterou entendimento
Apesar de se tratar de um crime motivado pelo tráfico de drogas, o fato de envolver um relacionamento torna a morte de Juliana um feminicídio. Conforme a delegada Fernanda Campos, titular da 2ª Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), a mudança de entendimento pode impactar no tamanho da pena, caso eles forem condenados pela Justiça.
— Nós temos que lembrar que o feminicídio, tem a pena mais alta do ordenamento jurídico, são 40 anos. A dívida existia, foi uma motivação, a princípio de tráfico, mas como houve violência doméstica, então já é feminicídio. E a questão dele ter atraído a vítima para o local do convívio, para o local do crime, também seria condição de vulnerabilidade da mulher — afirma.
Corpo ficou 15 horas na lixeira
A polícia acredita que o caso tenha ocorrido ainda no domingo (7). Durante a madrugada o coautor do crime buscou uma lixeira, onde teria sido colocado o corpo. Estima-se que se passaram 15 horas até a vítima ter sido encontrada.
Relembre o caso
Equipes do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) localizaram a vítima na última segunda-feira (8) enquanto trabalhavam e realizavam o recolhimento de resíduos na região. A mulher tinha os pés e mãos amarrados com tiras de tecido e um saco plástico preto envolvendo a cabeça.






