
O idoso João Batista Fernandes, 67 anos, preso durante a Operação Truck Hunters, não está entre os 51 denunciados pelo Ministério Público nesta terça-feira (16). A operação deflagrada pela Polícia Civil em 11 de setembro mirava um grupo criminoso que furtava caminhões em Portão, no Vale do Sinos.
O idoso foi alvo de mandado de prisão e encaminhado à Cadeia Pública de Porto Alegre (CPPA), onde dividiu cela com sete pessoas. Depois, a polícia chegou a indiciá-lo por organização criminosa.
A denúncia foi apresentada nesta terça pelo promotor de Justiça Tiago Moreira, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO Judicial), com base em dois inquéritos que revelaram a existência de núcleos independentes da organização, mas conectados, responsáveis por crimes contra o patrimônio. As provas indicam que os grupos, em alguns casos, colaboravam entre si para executar os delitos.
O promotor ressaltou que Fernandes não foi denunciado. O MP havia pedido a liberdade do idoso por não encontrar indícios suficientes de participação nos crimes.
No dia 17 de novembro, ele foi posto em prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica. No dia 28 do mesmo mês, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) determinou sua liberdade.
Após a denúncia do MP, na qual ele não consta, João Fernandes expressou alívio:
— Me sinto aliviado, com a esperança de voltar à vida normal e muito contente por sentir que esse pesadelo parece chegar ao fim.
Segundo a Polícia Civil, uma imagem da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) de Fernandes foi usada em setembro de 2023 na tentativa de locação de um depósito que seria destinado a desmanche de veículos em Viamão. Foi essa foto que embasou o pedido e cumprimento de um mandado de prisão contra o aposentado.
O idoso, que não tem antecedentes criminais, alega inocência. Ele conta que a CNH estava vencida e foi entregue a um Centro de Formação de Condutores (CFC) em maio de 2023, quando fez a renovação do documento. Fernandes ressalta que a carteira nunca foi roubada, furtada ou extraviada.
O que diz a Polícia Civil
A reportagem procurou a Polícia Civil, que enviou a seguinte nota:
"O Diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais - DEIC, em cuja estrutura está a DP de Repressão ao Roubo e ao Furto de Cargas, manifesta-se no sentido de que não discute o posicionamento do MP, mas sim o respeitamos. É ele o titular da ação penal. Acaso o MP entenda haver diligências, em relação a citada pessoa, serão devidamente cumpridas."
O que diz a defesa de João Batista Fernandes
A reportagem procurou os representantes dele, que enviaram, por escrito, a seguinte manifestação:
“A defesa acompanha com cautela a recente manifestação do MP, eis que embora não tenha oferecido denúncia em desfavor do JBF, ainda não opinou pelo arquivamento do IP, tendo solicitado maiores esclarecimentos para autoridade policial, mas, temos confiança que aos poucos a verdade está aparecendo e, em breve JBF poderá viver em paz."



