
O gaúcho de 21 anos preso por suspeita de matar Catarina Kasten, de 31 anos, em Santa Catarina, foi denunciado por feminicídio pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), nesta segunda-feira (1º).
Giovane Correa Mayer confessou o assassinato e disse estar sob efeito de drogas no momento do crime. Ele foi detido em flagrante e depois teve a prisão convertida em preventiva. O crime aconteceu em uma trilha em Florianópolis, em Santa Catarina.
Natural de Viamão, Mayer vai responder por feminicídio qualificado, estupro e ocultação de cadáver, de acordo com o g1.
Relembre
Catarina Kasten foi encontrada morta na manhã de 21 de novembro, na trilha de acesso à Praia do Matadeiro, no sul de Florianópolis. Ela estava a caminho de uma aula de natação.
Laudos periciais e relatos da família apontam sinais de violência, estrangulamento e agressão sexual. O corpo foi localizado em área de mata após moradores terem encontrado pertences da vítima próximos ao local.
O suspeito, Giovane Correa Mayer, foi identificado por câmeras de segurança que o registraram circulando pela trilha antes do crime.
A polícia informou que Mayer havia sido investigado por violência sexual contra uma idosa de 69 anos em 2022, quando era adolescente. O caso foi encerrado sem conclusão, mas será reaberto para cruzar informações com o inquérito de feminicídio.
A defesa de Mayer é feita pela Defensoria Pública de Santa Catarina.
A investigação está sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios.
Planos interrompidos
Catarina era aluna do Programa de Pós-Graduação em Inglês: Estudos Linguísticos e Literários na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e planejava obter uma vaga como professora de inglês na rede municipal de Florianópolis. Antes de estudar Letras na UFSC, ela foi aluna da Engenharia de Produção, onde integrou o Centro Acadêmico Livre de Engenharia de Produção (Calipro).
— Ela começou na Engenharia de Produção, depois bateu o pé com a família e falou que a área dela era Letras, assim como a mãe. A mãe falou: "Mas eu ganhei pouco a vida toda". E ela respondeu: "Não importa o dinheiro, eu vou fazer o que eu gosto" — lembrou Roger Gusmão, marido de Catarina.
O casal tinha planos de construir a casa própria a partir de janeiro. Eles moravam perto da trilha usada por Catarina para chegar à natação.
— A gente se conheceu na aula de surfe. Ficamos umas quatro, cinco vezes e começamos a morar junto já. São anos que a gente está junto — contou ele.
Além do mestrado, Catarina havia ingressado em um grupo de flauta doce. Nas últimas semanas, ensaiava diariamente a música Anunciação, de Alceu Valença. Apresentaria a canção no fim do ano e aguardava a presença dos pais, que viajariam de Joinville. Roger buscava a esposa todas as noites após os ensaios. Ela compartilhava a localização pelo celular e os dois voltavam a pé para casa.
Para o marido, falar sobre Catarina tem sido a principal forma de enfrentar o luto:
— É ruim porque a gente tinha tantos planos. O nosso plano era a casa própria, depois um cachorro... Acho que o que tem me confortado é falar dela.



