
O ex-funcionário de uma agência da Caixa Econômica Federal de Viamão é investigado por aplicar fraudes em empréstimos junto a empresas de fachada. Uma operação da Polícia Federal realizada nesta terça-feira (2) apura um desvio de cerca de R$ 4 milhões dos cofres públicos entre os anos de 2022 e 2024.
As investigações apontam que o servidor atuava junto a um grupo criminoso que possuía ao menos 23 empresas de fachada na Região Metropolitana. Segundo o delegado federal Afonso Arcego, ele permitia a obtenção de empréstimos a essas empresas, mesmo que elas não cumprissem os requisitos para o benefício. Entre as irregularidades, estariam CNPJs ligados a um só endereço e capital social incompatível.
— Em um mundo ideal, essas empresas não poderiam obter esses financiamentos — afirma o delegado.
O esquema permitia que esses criminosos se apropriassem do valor dos empréstimos, sem que houvesse uma devolução. Há indícios, ainda, de que o investigado recebia propinas de até 10% sobre o valor de cada financiamento.
Ainda conforme o delegado, o funcionário foi desligado durante a investigação. A reportagem procurou a Caixa, que afirmou colaborar com a apuração do caso. O nome do ex-funcionário e o cargo que ele ocupava na agência não estão sendo divulgados. Outras cinco pessoas são apontadas como proprietárias das empresas, e responsáveis por comandar o esquema.
Na operação Avalop foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, além de bloqueios de contas bancárias e apreensão de veículos. Ninguém foi preso. O objetivo nessa etapa, é colher mais informações sobre o tamanho do esquema criminoso.
— Agora vamos entender a amplitude desse esquema. É possível que tenhamos outras agências da Caixa envolvidas — complementa o delegado Arcego.
Os investigados poderão responder pelos crimes contra o sistema financeiro, corrupção passiva e ativa, além de associação criminosa.
O que diz a Caixa
"A CAIXA informa que atua conjuntamente com os órgãos de segurança pública nas investigações e operações que envolvem a instituição. Tais informações são consideradas sigilosas e repassadas exclusivamente às autoridades competentes, para análise e investigação.
O banco aperfeiçoa continuamente os critérios de segurança em movimentações financeiras, acompanhando as melhores práticas de mercado e as evoluções necessárias diante dos modus operandi identificados.
Adicionalmente, a CAIXA ressalta que monitora ininterruptamente seus produtos, serviços e transações bancárias como objetivo de identificar e investigar casos suspeitos. A instituição também esclarece que possui estratégias, políticas e procedimentos de segurança para a proteção dos dados e operações de seus clientes, contando com tecnologias e equipes especializadas para garantir a segurança de seus processos e canais de atendimento."





