Em 2023, um morador de Canoas perdeu R$ 10 mil ao ser enganado por um grupo de estelionatários de Goiás. Ele foi vítima do chamado golpe do falso parente após os criminosos se passarem pelo filho dele em um aplicativo de conversas. O caso foi o ponto de partida para uma investigação da 3ª Delegacia de Canoas que culminou em uma operação na manhã desta quarta-feira (9).
Zero Hora conversou com a vítima, que preferiu não ser identificada. Ele conta que foi acionado pelo filho no WhatsApp pedindo ajuda para comprar um veículo.
— Tinha certeza que estava falando com ele, por isso que eu não liguei, não fiz contato, não mandei mensagem de voz. (Disse que) ele precisava, naquele momento, comprar um veículo, que o dono do veículo estava esperando ele, tinha de ser naquele dia, porque o veículo era bom e o valor correspondia, que era mais barato do que realmente o veículo valia — relata.
A vítima realizou diversos depósitos que variavam de R$ 1 mil a R$ 2 mil. Ele diz ter ido à lotérica ao menos seis vezes para realizar pagamentos. Os golpistas não solicitavam repasses por Pix, mas enviavam boletos em nome de bancos digitais, o que dificulta o rastreio do dinheiro.
— O banco me alertou que podia ser golpe, mas eu não acreditei porque estava querendo ajudar ele demais — ressalta.
Passados dois anos, a vítima diz ainda enfrentar dificuldades financeiras e emocionais. Desempregado, ele se sustenta apenas da pensão pela morte da esposa.
— É humilhante porque a gente vê isso todos os dias. A gente vê essas coisas acontecendo e acha que não vai acontecer com a gente, mas aí a gente cai sem ter a mínima ideia, sem perceber nada — conclui.
A operação Máscara cumpre nove mandados de prisão e 20 de busca e apreensão. Além da vítima de Canoas, foram identificadas outras oito em Estados como Rio de Janeiro, Sergipe, Bahia e Maranhão.


