
Um protocolo para atendimento de ocorrências envolvendo surtos está sendo elaborado pelas secretarias de Saúde (SES) e da Segurança Pública (SSP) do Rio Grande do Sul. O objetivo é estabelecer um padrão de procedimento e regulamentar situações atendidas pelas forças de segurança e por equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Atualmente, cada secretaria adota seu próprio protocolo para atender os casos. As novas diretrizes unificadas devem ser apresentadas na próxima semana.
O tema voltou ao debate neste ano após a morte de dois homens com histórico de surtos durante abordagens policiais. O caso mais recente aconteceu em 15 de setembro, no bairro Santa Fé, zona norte de Porto Alegre. Herick Vargas, 29 anos, que fazia tratamento psiquiátrico e havia tido uma recaída após uso de drogas, foi baleado por policiais da Brigada Militar.
O outro episódio aconteceu em Guaíba, em 24 de junho, e resultou na morte do caldeireiro industrial Carlos Eduardo Nunes, 43 anos. Em surto, foi contido por policiais e recebeu um disparo de arma de eletrochoque e um golpe conhecido como “mata-leão”, chegando a ter uma parada cardiorrespiratória. Nunes ficou internado por dois meses e morreu em 1º de setembro.
Aumento de chamados
O protocolo unificado será lançado em meio a um discreto aumento na demanda por atendimentos a pacientes em surto. Dados da Secretaria Estadual da Saúde registrados até outubro deste ano mostram crescimento de 4,7% nos chamados atendidos pelas equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em relação ao mesmo período de 2024. De janeiro a outubro, foram 21.982 ocorrências antes 20.982 no ano passado.
Os atendimentos são divididos em 12 categorias, e o surto psicótico segue como a principal demanda nos dois anos — mais de 6 mil casos.
Conforme a SES, além das novas orientações, equipes que atuam no Samu do Rio Grande do Sul realizam capacitações. Neste ano, 452 profissionais passaram por treinamentos para área de saúde mental no atendimento pré hospitalar.

