
O advogado gaúcho alvo da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal (PF), que investiga esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), foi apontado no inquérito como "intermediário financeiro e jurídico dentro do esquema de corrupção e lavagem de dinheiro".
A PF fez buscas na casa e no escritório de Gilmar Stelo, na quinta-feira (13), em Porto Alegre, e ele passou a usar tornozeleira eletrônica por decisão judicial. Em mensagens analisadas pelos investigadores, Stelo é chamado por interlocutores de "o maior" ou "porta-voz do maior".
Segundo a investigação, Stelo faria a interlocução direta entre Alessandro Stefanutto (chamado de O Italiano e que foi procurador-chefe e presidente do INSS) e o núcleo operacional da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), que é investigada no inquérito. Para a PF, Stelo era a "ponte jurídica e financeira entre o núcleo administrativo do INSS e os suspeitos ligados à Conafer. Stefanutto foi um dos presos na fase da operação desencadeada na quinta-feira em 14 Estados e no Distrito Federal.
No inquérito, consta que o escritório Stelo Advogados Associados, situado no bairro Moinhos de Vento, apareceu em transações diretas com outras empresas investigadas. Só entre março e outubro de 2023, a firma teria recebido oito transferências bancárias de uma empresa que seria usada por Cícero Marcelino de Souza Santos "para o pagamento de propinas, que totalizaram a quantia de R$ 900 mil".
Para a PF, o escritório de advocacia de Stelo era usado como empresa interposta para ocultar e dissimular a origem dos valores ilícitos. Cícero é empresário e na investigação é tido como "braço financeiro da organização criminosa".
Ele teria criado e administrado empresas de fachada utilizadas para receber os valores desviados da Conafer e os repassado a beneficiários do esquema.
A investigação da PF teve como base a celebração de um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o INSS e a Conafer, em 2017, a partir da qual a cmfederação passou a enviar listas de beneficiários com milhares de nomes de aposentados e pensionistas que jamais haviam autorizado filiação ou contribuição associativa.
Alvo em outra ação
Zero Hora apurou que Stelo já foi alvo de outra investigação federal, a Operação Pavlova, em 2015, por suspeita de ter atuado em um suposto esquema de corrução envolvendo uma seguradora e o comando da Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão de supervisão do mercado de seguros no país. Ele teria pago propina mensal de R$ 50 mil ao então superintendente da Susep a fim de evitar intervenção do órgão na seguradora que ele representava. A firma estaria com situação econômico-financeira insuficiente para seguir operando.
Stelo foi condenado em 2022 por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e crime contra o sistema financeiro. Ele está recorrendo da decisão de 1º grau.
A reportagem ainda tenta contato com a defesa de Stelo. O espaço para manifestações está aberto.


