O Tribunal do Júri condenou Anderson Mello Rios, 33 anos, mais conhecido como MC Nose, a 70 anos, três meses e três dias de reclusão por um triplo homicídio ocorrido em fevereiro de 2022, em Porto Alegre. Conforme a sentença, proferida na noite de quinta-feira (6), o MC também foi responsabilizado por integrar uma organização criminosa. Defesa afirma que recorrerá.
O réu já se encontra no sistema prisional e deve cumprir a pena em regime fechado. O homem já possuía antecedentes criminais e atuava como influenciador musical.
Durante o júri, a promotora do Ministério Público (MP) Lúcia Helena Callegari frisou que além da morte, o réu também produzia músicas relacionadas a assassinatos de rivais:
— O réu, que é um MC e autor de músicas que falam sobre matar inimigos, as quais, inclusive, mostrei durante o julgamento e que demonstravam (...) o envolvimento do réu com os fatos, com a organização criminosa e com a criminalidade, resultando nesses tristes fatos — analisou.
Outras 14 pessoas denunciadas pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) respondem pelo triplo homicídio, mas em processos separados.
Relembre o caso
O triplo homicídio ocorreu em fevereiro de 2022, em uma residência no bairro Jardim Carvalho, zona leste de Porto Alegre.
Foram assassinados com tiros de fuzil e pistola os irmãos Paulo Gabriel Corrêa Lima, 18 anos, e João Vitor Corrêa de Lima, 16. Outro adolescente de 17 anos, Pedro Henrique Silva Santos Soares, conhecido como Maia, também foi alvo do ataque.
No momento do crime, o trio estava em uma casa invadida pelo tráfico, sem móveis, apenas com colchões, na Rua A. O ataque aconteceu pouco depois que a BM havia encerrado policiamento ostensivo no bairro.
Conforme o Ministério Público, a ação foi motivada por disputas ligadas ao tráfico de drogas.
Contraponto
Zero Hora entrou em contato com o advogado Gelson Fassina, que representa Anderson Mello Rios. Em nota, a defesa afirmou que recorrerá da condenação e sugeriu que o Ministério Público criminalizou a cultura periférica ao ligar o histórico de MC do réu com a autoria dos crimes.
"O escritório Fernandes, Rodrigues & Fassina - Advocacia Criminal informa que irá recorrer da condenação. Anderson foi condenado tendo por base uma linha argumentativa do Ministério Público do Rio Grande do Sul, que se sustentou na utilização do histórico do réu de “MC” de funk como prova da autoria de homicídios, criminalizando a cultura de periferia no plenário sem trabalhar a prova do processo. Além disso, o parquet buscou atacar colegas advogados que já haviam trabalhado no caso, criminalizando a advocacia, o que será levado à apuração dos órgãos competentes."




