
A mãe de Herick Cristian da Silva Vargas, morto pela Brigada Militar (BM) após surto, aos 29 anos, refutou o inquérito da Polícia Civil que aponta que os policiais agiram em legítima defesa. Em entrevista na manhã desta terça-feira (18) ao Timeline, da Rádio Gaúcha, Evolmara Vargas afirmou que o processo foi concluído sem ouvir o depoimento dela, que estava presente no momento da ocorrência.
— Eu, a mãe, não fui ouvida. A testemunha principal. O relatório do inquérito é bizarro. As coisas que estão aqui não conferem com o vídeo — afirma Evolmara, com o documento em mãos.
O jovem tinha esquizofrenia e estava sob efeito de entorpecentes quando entrou em surto. Ele foi morto em casa, no bairro Parque Santa Fé, na zona norte de Porto Alegre.
A técnica de enfermagem relatou ainda como foi a abordagem dos brigadianos. Ela afirma que eles já chegaram ao local com violência, provocando uma agitação na vítima, que já havia sido acalmada por ela e outras duas familiares.
— Eles chegaram no quarto do meu filho e apontaram (a arma de choque) para o abdômen dele. É nítido (no vídeo) o laser no abdômen do Herick, apontando para ele, instigando o meu filho, que já estava sentado comigo, calmo. Eu já tinha acalmado ele — relata.
Vídeo registrou ação dos policiais na casa
Evolmara também relatou que já havia precisado do auxílio da BM para conter o filho e que não houve qualquer intercorrência ou violência nas ocorrências anteriores.
— Eles dois envergonham a corporação e o Estado do Rio Grande do Sul. Respeito todos os demais profissionais, mas esses dois são assassinos do meu filho — ressalta.
Segundo a mãe do jovem, a tia dela precisou fazer 21 chamadas ao todo para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a Brigada, solicitando atendimento.
— A gente tirou o histórico lá do celular dela. Tem 21 chamadas — conta. — O Samu disse que, assim que a Brigada chegasse, era para ligar de novo. A Brigada chegou, minha tia ligou: "A Brigada está aqui. Vocês vêm? Assim que tiver uma ambulância disponível, vai. No momento, não tem". Não tinha ambulância disponível. Só que isso demorou mais de 40 minutos.
Contraponto
A reportagem entrou em contato com a Polícia Civil sobre a afirmação de que Evolmara não foi ouvida no inquérito. Segundo o delegado Thiago Zaidan, responsável pelo caso, a mãe de Herick prestou depoimento à equipe do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) no dia da morte:
— Mesmo assim, em duas outras oportunidades, tentamos marcar novas oitivas dela, mas nos foi apresentado atestado médico em razão de sua condição psicológica — afirma Zaidan.


