
Os hematomas e a fala constantemente embargada denunciam um trauma recente que o músico e ícone do rock gaúcho Julio Reny, 66 anos, tenta esquecer. No último sábado (8), ele foi espancado, segundo relatos da família, ao chegar em casa na volta de um show que fez no município de Viamão (veja abaixo).
Em entrevista a Zero Hora, o artista deu detalhes sobre o atual estado de saúde, celebrou amizades e os próximos atos da carreira, que conta com um novo álbum e o lançamento de um documentário. Horas antes, porém, prestou depoimento na Delegacia de Polícia de Proteção ao Idoso e passou pelo exame de corpo de delito. Um inquérito apura as agressões sofridas pelo músico.
Debilitado e com a visão prejudicada, Julio pede licença, serve um copo de vinho e acende um cigarro. Uma das primeiras manifestações adianta a tônica da conversa que durou cerca de uma hora: o desejo de retomada, com dedicação total à música, e o reconhecimento a todos que o ajudaram.
— Naquela noite, fiz amor com meu público. Foi um dos melhores shows da minha vida, recebi carinho demais. Depois, sofri muito durante o lamentável ocorrido, que eu quero esquecer, são águas passadas. O que é uma gota de maldade no oceano de bondade que eu estou recebendo? — reflete o roqueiro ao se referir à rede de apoio que uniu antigos fãs e amigos.
No quarto do apartamento onde vive e se recupera com a ajuda de duas cuidadoras em tempo integral, antigos aparelhos de som, o violão e os gatos Malhado e Preta fazem companhia. A dualidade do sacro ao profano norteia os argumentos do artista. Fala em traição e redenção; faz orações e refere fé a uma pequena estátua de Santo Expedito sobre o bidê ao mesmo tempo, que relembra de amores, prostitutas e traições:
— Cheguei e só queria apagar depois da noite maravilhosa que vivi. Mas cheguei em casa e, por ciúmes, por uma força do diabo, fui agredido. Ele (o agressor) me bateu com a estátua do Prêmio Açorianos. Me senti traído. Não pedi socorro. Meus óculos quebraram e posso perder a visão. Mas agora só quero me recuperar.
Na próxima semana, Julio fará o procedimento ocular, já que teve as duas retinas descoladas por conta das agressões. Ele também ficou com escoriações nos braços e ferimentos na região da cabeça, pescoço e rosto. Um tratamento dentário será a próxima providência em saúde.
— Meus shows oficiais voltam com eu repaginado, totalmente curado, a partir de janeiro de 2026. Agradeço todos os shows que estão sendo organizados em minha homenagem. Um dia eu terei minha noite. Era para eu ter agora em dezembro, mas está tudo cancelado até janeiro, quando volto com força total, com dentes refeitos, já podendo tocar meu violão novamente.
O documentário Amor e Morte em Julio Reny (2025), que já foi exibido em sessões especiais na Capital e em festivais no Brasil e no Exterior, deve ser lançado na próxima quinta-feira (20). Composições para um novo álbum também estão em curso.
Relembre o caso
Conforme a ocorrência registrada na Delegacia do Idoso na tarde de quarta-feira (12), Julio foi agredido após realizar um show no município de Viamão no sábado (8) à noite.
- As agressões teriam acontecido por volta das 23h, quando o artista chegou em casa depois da apresentação
- Tudo teria começado com uma discussão. Na sequência, o músico foi espancado dentro do quarto, inclusive com o troféu do Prêmio Açorianos, que recebeu recentemente
- No domingo, Júlio foi atendido no Hospital de Pronto-Socorro de Porto Alegre (HPS). Ele sofreu lesões na região da cabeça, pescoço e rosto. As duas retinas foram descoladas, colocando o artista sob risco de ficar cego
A investigação do caso é de reponsabilidade da delegada Ana Luiza Caruso, titular da Delegacia do Idoso.
— A vítima foi ouvida hoje. O agressor, em princípio, já saiu de Porto Alegre e teria recebido ameaças de morte pelo que fez. Estamos procurando por ele para ouvi-lo e aguardando o resultado da perícia do exame de corpo de delito — afirma a delegada.
Músico já enfrentava dificuldades financeiras
Há cerca de três semanas, uma reportagem da Zero Hora mostrou a mobilização de fãs depois de o músico afirmar nas redes sociais que estava passando por dificuldades financeiras. Em uma postagem, Reny chegou a anunciar a venda de seu único violão.
A postagem repercutiu e gerou boa adesão por parte de apoiadores do músico, garantindo uma arrecadação financeira satisfatória que fez com que Julio pudesse manter seu instrumento musical. Segundo sua filha, Reny recebe atualmente uma pensão de cerca de um salário mínimo para seu sustento.
— Depois da repercussão da reportagem, meu pai vinha em um ótimo momento da carreira, vinha sendo chamado para shows e ainda recebeu o Prêmio Açorianos. Aí, agora, acontece uma coisa horrível dessas — lamenta a filha.
Rede de apoio
Na quarta-feira (11), a filha do artista Consuelo Vallandro, 45 anos, veio a público e compartilhou informações sobre o ocorrido com o pai. Ela também divulgou uma vaquinha online em apoio ao músico. A meta inicial era arrecadar R$ 18 mil. Até as 19h desta quinta-feira (13), o valor acumulado já havia ultrapassado R$ 130 mil. Os valores serão convertidos para pagar medicações, tratamento médico e manter duas cuidadoras de Reny.
Como ajudar Julio Reny
Vaquinha Online: julioreny@vakinha.com.br
Chave Pix: consuelovallandro@yahoo.com.br





