Anúncios falsos de produtos da Grêmio Mania (loja oficial do Tricolor) foram usados como isca por golpistas para enganar torcedores. Nesta quinta-feira (27), durante a Operação Manto, o Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos do Rio Grande do Sul tem como alvo em São Paulo e no Paraná suspeitos de integrarem esse esquema.
A fraude envolveu, inclusive, o uso de inteligência artificial para criar uma deepfake de Pedro Geromel, ex-zagueiro do clube. Somente em Porto Alegre, ao menos 10 vítimas procuraram a Polícia Civil, mas há outros registros no interior do Estado.
Foram cumpridos três mandados de prisão preventiva — em Curitiba (PR), Ribeirão Preto e Sales (SP) — e 10 de busca e apreensão e indisponibilidade de bens em São Paulo — nos municípios de Orlândia, Jardinópolis e Ribeirão Preto — e no Paraná — em Curitiba e Almirante Tamandaré. Entre os alvos dos mandados de busca estão os principais suspeitos de serem os articuladores e beneficiários da fraude, assim como pessoas que atuariam como laranjas (que emprestam nome e documentos para serem usados nos golpes).
Foram presos dois desses suspeitos de articular o esquema e o responsável pela empresa gateway de pagamentos (tecnologia que conecta uma loja online a instituições financeiras para processar transações de forma segura).

Como funcionava o esquema
Os golpes teriam sido aplicados entre os meses de janeiro e fevereiro, conforme a investigação. O grupo criminoso criou um site similar ao da Grêmio Mania, além de um perfil falso em redes sociais para anunciar os produtos. Foram produzidas campanhas patrocinadas, que direcionavam as vítimas para o site fraudulento, em que eram realizadas as compras.
No site, os golpistas anunciavam produtos oficiais do Grêmio, especialmente camisetas, com descontos, frete grátis, entre outros atrativos para fomentar a fraude. Os produtos eram ofertados por valor similar ao do site oficial, mas com descontos elevados, entre 65% e 70%.
As vítimas, atraídas pelos valores, faziam o pagamento, mas não recebiam os produtos. Segundo a investigação da Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Cibernéticos, o site falso não está no ar atualmente, mas o domínio utilizado segue ativo, ou seja, poderia ser disponibilizado para novos golpes a qualquer momento.
A investigação constatou que os criminosos estruturaram uma empresa de fachada como intermediadora de pagamento, criada para receber valores das fraudes, centralizar pagamentos via Pix, operar como conta de passagem e permitir a replicação do golpe em diversos modelos de e-commerce falso, não apenas o que simulava a loja Grêmio Mania. Essa intermediadora de pagamentos foi criada, conforme a polícia, exclusivamente para a aplicação de golpes.
— Nós identificamos um grupo criminoso que se valia da inteligência artificial para a produção de deepfakes e prática de golpes. Esse grupo especificamente criou uma instituição de pagamento, e é algo que viemos observando nos últimos anos, o surgimento de gateways de pagamento que servem para fim de prática de crime. Tem crescido muito essa parte de logística, de pessoas que cometem crimes, que facilitam a prática dos golpes — afirma o diretor do departamento, delegado Eibert Moreira Neto.
A gateway de pagamento ficou ativa por três meses, aplicando diversos modelos de golpes relacionados a e-commerce. Nesse período, segundo a polícia, calcula-se aproximadamente R$ 250 mil em prejuízos das diversas vítimas dos golpes aplicados.

Inteligência artificial
Os criminosos reproduziram o logotipo, a paleta de cores e a tipografia da loja oficial, além de campanhas promocionais e banner idênticos aos originais. Os anúncios, patrocinados para atingir consumidores e direcionar ao site falso, eram apresentados como campanhas promocionais legítimas, exibiam produtos com descontos e redirecionavam automaticamente para o domínio fraudulento, que era controlado pelos golpistas.
A investigação confirmou ainda que o grupo usou um vídeo deepfake de Pedro Geromel, criado por inteligência artificial para simular um depoimento real do atleta, que se aposentou no fim de 2024. O material era apresentado tanto nas redes sociais quanto nas páginas falsas. Com isso, segundo a polícia, os golpistas buscavam dar credibilidade aos anúncios. O vídeo foi mencionado nas ocorrências das vítimas, mas não foi disponibilizado para a investigação até o momento.
Como agiam os golpistas
- Anúncios patrocinados direcionavam usuários para o site falso
- Páginas simulavam a loja Grêmio Mania
- Vídeo deepfake de Geromel reforçava a aparência de campanha oficial
- Pagamentos eram recebidos via PIX e intermediadoras de pagamento
Dicas
- Cuidados com anúncios patrocinados: Evite clicar diretamente em anúncios pagos em redes sociais ou nos primeiros resultados patrocinados em buscadores (Google, Yahoo, Bing). Prefira acessar o site oficial digitando o endereço manualmente no navegador
- Desconfie de vantagens excessivas: fraudes costumam oferecer condições exageradas, como descontos muito acima do padrão, promoções relâmpago com valores irrisórios, frete grátis irrestrito e kits promocionais que não existem na loja oficial
- Verifique a URL antes de comprar: confirme se o endereço do site corresponde ao domínio oficial da empresa. Tenha atenção especial com domínios com letras trocadas, acréscimos de palavras ou sufixos incomuns
- Fique atento a vídeos e depoimentos suspeitos: avanços recentes de deepfake possibilitam manipulações extremamente realistas. Sempre confirme campanhas oficiais diretamente com o clube ou empresa





